Marcio Kumruian, fundador do Netshoes.

A Netshoes fechou um acordo com Oi, TIM, Vivo e Claro para oferecer acesso móvel sem consumo de dados das operadoras aos e-commerces Netshoes e Zattini. É o chamado zero rating.

“Buscamos sempre facilitar a vida de nossos consumidores e a inovação é um grande aliado para isso. Neste caso, os principais impactados deverão ser usuários de planos pré-pagos que possuem um acesso mais limitado a rede de dados”, explica Marcio Kumruian, fundador e CEO do Grupo Netshoes. 

Segundo a Anatel, o Brasil registrou 280 milhões de acessos móveis em agosto deste ano, sendo certa de 75% deles pré-pagos. 

O acesso mobile já representa 46% das visitas nos sites da Netshoes. No primeiro semestre de 2015, mais de 20% da receita do grupo está relacionada a canais mobile. 

Considerando os clientes que concluíram a compra após iniciar a jornada nos gadgets, esse número sobe para 33%.  

De acordo com a Mobile Marketing Association, a ação da Netshoes é inédita em nível global.  

“Vemos que, hoje, a América Latina é o mercado mobile com maior velocidade de crescimento no mundo, sendo que México, Brasil e Argentina despontam entre os 10 países com maior acesso a ações de marketing nesse canal”, explica Fabiano Destri Lobo, managing director da Mobile Marketing Association.

Parte do ineditismo da Netshoes pode ser atribuído ao fato de que em países mais desenvolvidos limitação de acesso a Internet móvel não é um problema.

Agora é uma questão de ver por quanto tempo ações desse tipo serão viáveis no Brasil.

Nesta semana, o Ministério Público Federal divulgou uma nota técnica em que procuradores classificam como ilegal o projeto Internet.org, iniciativa do Facebook que oferece aplicativos de Internet sem consumo de banda para pessoas de baixa renda.

Para os procuradores, a iniciativa do Facebook fere o conceito de neutralidade de redes (o tratamento igualitário de todo o tráfego circulante na internet) estabelecido pelo Marco Civil da Internet.

O entendimento tem o respaldo de associações como a Proteste e personalidades  como o diretor presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e conselheiro do CGI.br, Demi Getschko. 

Se uma iniciativa comercial tão disfarçada e potencialmente benéfica para populações desassistidas como a Internet.org não passa pelo crivo dos defensores da neutralidade de rede, poucas esperanças devem restar para uma iniciativas 100% comerciais como as da Netshoes.