José Cesar Martins.

Acaba de ser formado em Porto Alegre o Agenda 3.0, um grupo de discussão voltado a buscar soluções para os problemas do país por meio do engajamento de cidadãos comuns.

De acordo com matéria da Zero Hora, José Cesar Martins, dono do fundo de investimentos Paradoxa, é um dos nomes envolvidos na iniciativa, que tem 50 nomes no barco até agora.

Um dos objetivos é reunir o máximo de pessoas possíveis, no ano que vem, em evento voltado a propostas de soluções para o país, revela a ZH.

Martins é um profissional conhecido na cena de tecnologia gaúcha. 

Em 2000, criou a GoDigital, focada em softwares de bancos de dados, marketing de precisão e tecnologias de geoanálise, vendida em 2010 para a gigante da área Acxiom Corp. 

Antes, foi presidente da agência de desenvolvimento Pólo RS entre 1997 e 1999, período durante o qual a Dell instalou sua fábrica e um centro de desenvolvimento de software na PUC-RS, uma das primeiras âncoras do que veio a se tornar o Tecnopuc.

“Moro em Porto Alegre e em San Francisco e percebo que lá há um espírito cívico pautando a vida das pessoas. Por outro lado, os brasileiros parecem nutrir um sentimento quase tóxico de desvalor das coisas do nosso país”, disse Martins ao jornal gaúcho.

Entre os primeiros 50 membros do movimento está ex-secretário de Governança de Porto Alegre durante o governo José Fogaça (PMDB) e chefe da Casa Civil do Rio Grande do Sul durante o governo Yeda Crusius, Cézar Busatto.

Segundo o Baguete pode averiguar, também participam Walker Massa, CEO do Nós Coworking Porto Alegre; Thiago Ribeiro, head de Comunicação da 4all e Alfredo Fedrizzi, ex-sócio da agência de propaganda Escala.

As formas de ingresso e os canais de comunicação com o grupo ainda estão sendo definidos. O que já está estabelecido é que os interessados devem disponibilizar, no mínimo, duas horas semanais para trabalhos voluntários. 

Também foram estipulados seis grupos temáticos nos quais os participantes serão distribuídos conforme suas afinidades. O primeiro deles, denominado "Há salvação fora da inovação?", será formado nesta sexta-feira, em reunião de trabalho na UFRGS, data em que serão estipuladas metas e definidos os líderes. 

Antes, na quinta-feira, às 18h30, na Catedral Metropolitana de Porto Alegre, outro encontro será realizado para celebrar os três meses da Agenda 3.0.

A Agenda 3.0 é uma modificação de um outro projeto no qual Martins e Fedrizzi foram líderes, batizado de Comunidade, Tecnologia, Inovação e Empreendedorismo – CITE, que tinha uma agenda mais focada em promover a adoção de inovação em Porto Alegre, em 2013.

Na ocasião, o CITE liderou uma missão político-empresarial para São Francisco, da qual participou o então prefeito de Porto Alegre, José Fortunati.

Um ano antes da Copa do Mundo, o ambiente então era de mais otimismo na capital gaúcha, que desde então passou a sofrer com uma crise financeira. O CITE não voltou a promover atividades.

Em nível Rio Grande do Sul, foi criado também em 2013  a campanha Rio Grande do Sim, uma iniciativa capitaneada pela ADVB-RS com o foco de superar a “grenalização” do estado, o que parece ser a pauta da Agenda 3.0 em nível macro.

Abraçado com entusiasmo pelas entidades empresariais do estado, o Rio Grande do Sim não conseguiu evoluir rumo a pautas mais concretas.

Representantes do movimento disseram estar preparando uma agenda de propostas, com metas e indicadores a serem seguidos para os candidatos das eleições de 2014, o que aparentemente não aconteceu. 

Durante as eleições de 2014, Simone Leite, atual presidente da Federasul e então candidata ao senado pelo PP, chegou a bater nessa tecla durante a campanha eleitoral. 

Simone conseguiu um resultado nas urnas tido como surpreendente por muitos, fazendo 10% dos votos em uma disputa polarizada (grenalizada, para usar a linguagem do Rio Grande do Sim) entre o jornalista Lasier Martins e o ex-governador petista Olívio Dutra).

O assunto Rio Grande do Sim sumiu do mapa. O portal da iniciativa conta no momento com conteúdo publicado em 2014.

Um exemplo mais bem sucedido foi a Agenda 2020, um projeto encampado pela Fiergs que visava apresentar uma "agenda estratégica" para o estado, a partir do input de líderes de diferentes setores da sociedade, iniciado em 2006.

Com a vitória de Tarso Genro (PT) nas eleições de 2010, o movimento parece ter perdido o gás, para ressurgir em 2014, com a entrega de propostas aos candidatos.

O candidato vitorioso, José Ivo Sartori (PMDB) tomou consideradas importantes pela Agenda 2020, como a Lei de Responsabilidade Fiscal Estadual, e neste ano nomeou Ronald Krummenauer, um dos nomes conhecidos do movimento, para assumir a secretaria de Educação.