Alvo de investigação do Ministério Público Estadual (MPE) e sindicância interna da prefeitura de Campo Grande no ano passado, a empresa Real Food Alimentação ganhou mais um contrato do poder público, dessa vez do Governo do Estado. A empresa receberá R$ 1 milhão para fornecer alimentação para presos.

Publicação da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) na edição desta quarta-feira (13) do Diário Oficial do Estado (DOE) revela que a Real Food fornecerá comida para detentos pelo período de 12 meses.

Pelo serviço, a empresa receberá R$ 1.042.541,28 milhão. A assinatura da contratação foi feita pelo diretor-presidente da Agepen, Ailton Stropa.

INVESTIGAÇÃO

Em julho do ano passado, o contrato milionário entre a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) e a Real Food foi alvo de investigação do Ministério Público. A contratação que consumiu R$ 7,4 milhões dos cofres da prefeitura foi feita para fornecimento de alimentação aos servidores da Sesau.

O promotor Thalys Franklyn Souza, da 29ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social abriu o inquérito civil para apurar tanto os contratos quanto os termos aditivos firmados no decorrer dos últimos anos.

O último contrato entre a Real Food e a Sesau foi firmado em 2010. A empresa foi contratada para fornecer marmitas e self-service aos funcionários. De lá para cá, pelo menos seis termos aditivos foram firmados e o valor global do contrato chegou a R$ 7.432.500 milhões.

O último aditivo do contrato foi publicado no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) em outubro de 2014. Na época, a vigência da contratação só expiraria em novembro de 2015.

No entanto, depois de uma série de reclamações de servidores com relação à qualidade do alimento, que foram intensificadas no mês passado, a prefeitura decidiu cancelar o contrato. Servidores chegaram a ficar sem alimentação por alguns dias.

A investigação do MPE ainda não foi finalizada e atualmente a Real Food não tem contratos em vigor com a prefeitura. A reportagem tentou contato com a empresa para mais detalhes sobre o novo contrato com o Governo, mas não obteve retorno.