Vivo está de saída do Campus Party. Foto: Flickr/Campus Party.

A Campus Party Brasil, evento que acontece entre 26 e 31 de janeiro no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, trocou o seu fornecedor de banda larga da Telefônica pela Telebras.

Não se trata de uma substituição trivial. Conexão de altíssima velocidade é uma das atrações da Campus Party. A banda no ano passado era de 40 GB. O evento recebe em média 8 mil participantes acampados e mais centenas de milhares de visitantes, a maior parte deles heavy users de conectividade.

“Sabemos que um dos principais atrativos da Campus Party Brasil é a velocidade e qualidade da internet e por isso procuramos a cada evento parceiros que possam nos ajudar a proporcionar a melhor experiência possível para os campuseiros”, explica Tonico Novaes, diretor geral da Campus Party Brasil.

O que não foi explicado na nota da Campus Party é o motivo pelo qual a parceria com a Telefônica acabou. Em janeiro de 2013, a Exame chegou a cravar que a Telefônica tinha comprado a Futura Networks, empresa espanhola dona da marca Campus Party.

As duas empresas não comentaram o fato, mas o negócio parecia fazer todo sentido. Ambas companhias são sediadas na Espanha (as primeiras Campus Party foram em Valência) e o evento é basicamente um showroom para conectividade, destinado a um público jovem que as marcas buscam cortejar.

No começo do ano passado, a Futura Networks anunciou a contratação da MCI Brasil, subsidiária brasileira da multinacional de eventos MCI, para ser a organizadora do evento a partir da próxima edição no país.

O acordo foi um desdobramento da parceria já existente entre as empresas em outros países como a Espanha. A MCI é uma gigante no mercado de comunicação e eventos corporativos, com um faturamento de 339 milhões de euros em 2013, uma alta de 21% frente ao ano anterior.

A operação brasileira, no entanto, não é tão grande. A MCI faturou R$ 80 milhões em 2014, cifra que projeta aumentar 50% para R$ 120 milhões. 

Talvez os novos gerentes da feira tenham tentado aumentar as cotas de patrocínio da Telefônica, que pode ter optado por se retirar ou a parceria tenha sucumbido algum outro problema.

Procurada, a Telebras disse por meio da sua assessoria de imprensa que não terá "dispêndio monetário" com o patrocínio e que já conta com estrutura de fibra óptica no local, o que diminui os custos do fornecimento.

Parece ser que a Telebras achou uma oportunidade de marketing barata (seu único custo será o dos funcionários de suporte no local) ainda que tenha um pouco ou nenhum retorno em investimento quantificável.

"A motivação é estar presente nos principais eventos de telecom e inovação do País. Queremos mostrar a força e os bons serviços prestados pela empresa", afirma a companhia em nota. 

O público da Campus Party, no entanto, não é bem o alvo da empresa. cujos clientes são órgãos e empresas públicas, além de municípios pobres com pouca oferta de Internet comercial, atendidos dentro do Plano Nacional de Banda Larga.

Se mudar nos próximos tempos, essa atuação pode ser reduzida. O governo federal já fez estudos para promover a fusão da Telebras com o Serpro e a Dataprev, buscando cortar custos.

A estatal brasileira de telecomunicações fechou 2014 com um prejuízo de R$ 117,3 milhões e queda de receita de 25% para R$ 31 milhões.