A DS SolidWorks prepara para outubro o lançamento de uma versão de seu software de CAD 3D voltada para o mercado de arquitetura e engenharia (AeC, na sigla em inglês).  

A revelação é do CEO da DS SolidWorks, Bertrand Sicot, que faz mistério sobre a estratégia para sustentar a entrada no novo mercado.

O executivo francês se limita a assegurar que a investida é para valer.

“Vamos fazer um lançamento e depois uma nova versão em 12 meses, outra em 12 meses e mais outra em 12 meses”, comenta Sicot, fazendo graça com o nível de segredo em torno do anúncio.

Baseado na plataforma V6, a base de outros produtos da Dassault Systemes como o Catia, a novidade coloca a companhia, cujos softwares até hoje atendem o mercado de manufatura, em rota de colisão com a AutoDesk, que domina a área de AeC.

Sicot afirma que o novo produto será disponibilizado aos atuais parceiros, que hoje totalizam 11 no Brasil, mas não descarta a entrada de novos canais, oriundos inclusive da concorrência.

“Já tivemos casos de bons canais que migraram para a SolidWorks e não vejo porque não possa acontecer de novo”, resume o francês.

Uma das maiores trocas de lado foi a da gaúcha SKA, que até 2006 trocou a Autodesk pela Solidworks, conseguindo migrar boa parte da carteira de clientes. Com planos de chegar aos R$ 25 milhões de faturamento até o final de 2012, a empresa é hoje uma das maiores na área de CAD/CAM no Brasil.

Sinaliza a importância do novo mercado para a empresa a contratação há cinco meses como vice presidente de pesquisa e desenvolvimento de Gian Paolo Bassi, fundador da Riwebb, uma consultoria focada em PLM que tinha entre seus clientes a Autodesk.

Movimentos da SolidWorks indicam há tempos uma entrada mais forte na área.

No começo de 2011, foi lançado o Live Bulding, software de CAD 3D online destinado ao mercado de arquitetura e construção.
 
O software pode importar arquivos de CAD 2D com a extensão .dwg e trabalhar em cima das plantas baixas dos prédios, desenhando os mesmos em 3D.

Outra movimentação que parece uma preparação do terreno para a ofensiva é o lançamento, em julho de 2010, do DraftSight, software de CAD 2D gratuito que já foi baixado 2 milhões de vezes, e, em cerca de um terço das ocasiões, ativado pelo usuário - o que equivale a dizer que pelo menos um arquivo foi aberto ou salvo usando a ferramenta.

Aaron Kelly, gerente geral da DraftSight, afirma que a meta da estratégia é permitir que os clientes possam gastar o orçamento destinado a 2D – formato no qual ainda existe um grande legado, estimado por analistas em metade do CAD mundial – em novas ferramentas de 3D.

“O mercado de AeC é ainda mais orientado a 2D. Há quem diga que o ramo está 10 anos atrás da área mecânica no que tange à adoção de 3D”, analisa Kelly.

Embora diga que eliminar receita da Autodesk não é o objetivo, Kelly mostra que a meta estaria sendo alcançada se fosse o caso, revelando que das pessoas que ativaram suas licenças gratuitas do Draftsight, apenas 10% usavam SolidWorks ou Catia na empresa.

Além das contratações, lançamentos e softwares gratuitos, a Dassault Systemes também decidiu fortalecer a SolidWorks no campo da divulgação de dados financeiros, disponibilizando informações que não costumavam ser liberadas.

Durante seu key note no SolidWorks World, que acontece até a quarta-feira, 15, em San Diego, nos Estados Unidos, o CEO da Dassault Systemas, Bernard Charles, destacou que a empresa representa 20% do faturamento do grupo, que faturou € 1,78 bilhão em 2011, alta de 16% frente aos resultados do ano anterior.

Será bastante para competir com a Autodesk -  a empresa oferece ainda software de animação, área na qual não compete com a Dassault - que encerrou o terceiro trimestre do ano fiscal de 2012 com receita de US$ 549 milhões?

Isso, os consumidores dirão. Mas não há dúvida de que será um confronto interessante.

* Maurício Renner cobre o SolidWorks 2012 em San Diego a convite da DS SolidWorks.