Deu problema no contrato da Microsoft. Foto: https://www.flickr.com/photos/jmarty/

A AWS conseguiu uma decisão judicial bloqueando temporariamente o contrato de US$ 10 bilhões para serviços de computação em nuvem vencido pela Microsoft junto ao Pentágono.

Agora, a AWS deverá provar que a concorrente foi indevidamente favorecida na licitação, através da qual o Departamento de Defesa dos Estados Unidos deve comprar 10 anos de serviços de tecnologia.

Relembrando: a AWS era a franca favorita para levar o contrato, ao ponto de ter unido contra si virtualmente todo o setor de tecnologia, que acreditava que a licitação foi feita de tal forma a favorecer a companhia.

No final, no entanto, a Microsoft levou a parada. Rumores indicam que o presidente Donald Trump entrou em campo para evitar uma vitória de Jeff Bezos, de quem é inimigo pessoal.

A novela está longe de terminar. Na semana que vem, Larry Elisson, fundador da Oracle, está organizando um evento de captação de fundos para a campanha de reeleição de Trump. 

A Oracle é uma das empresas que mais reclamou do suposto favorecimento da AWS na licitação e Elisson um dos poucos amigos declarados de Trump no meio de tecnologia, que tende a apoiar o partido Democrata.

O Joint Enterprise Defense Infrastructure, conhecido pela sigla JEDI, vinha sendo disputado acirradamente desde que foi lançado, em 2018.

A licitação envolve a compra de serviços de nuvem e armazenamento de dados até inteligência artificial, machine learning e processamentos de dados de missão crítica por um período de 10 anos.

O contrato gerou muita polêmica, inicialmente por causa da fórmula “winner takes it all”, pela qual todos os serviços deveriam ser atribuídos a só um vencedor.

Microsoft, IBM Oracle, Dell e HP lideraram uma mobilização da indústria de TI por dividir a licitação, possibilitando mais de um vencedor, o que acabou não indo para frente.

Quando ficou claro que a disputa estava entre AWS e Microsoft, a Oracle começou um processo judicial, alegando que o processo teria sido feito sob medida para limitar o número de participantes, com participação direta de pessoas relacionadas com a AWS.

A via judicial não deu em nada. Foi quando o presidente Donald Trump entrou em campo.

Dois senadores republicanos influentes, Marco Rubio, da Flórida, e Ron Johnson, do Wisconsin, fizeram movimentos para atrasar o fechamento do contrato, alegando que houve pouca competição. 

O assunto chegou aos ouvidos de Trump, que é um inimigo declarado da Amazon. 

Isso porque Jeff Bezos, dono da Amazon e da AWS, é também proprietário do Washington Post, jornal que faz uma cobertura crítica do governo Trump e já foi alvo do presidente em diversas ocasiões, assim como a própria Amazon.

Já a co-CEO da Oracle, Safra Katz, é considerada próxima do governo Trump. A executiva foi inclusive parte do time de transição da nova administração, tendo sido considerada para uma posição de alto escalão. 

A Oracle certamente não colocou seu time em campo para a Microsoft levar o contrato, então alguma reviravolta ainda pode vir por aí.