MENSAGENS

Elopag: comunicação baseada em Pix

14/02/2022 09:47

Startup cria canal de comunicação usando o serviço de transferências instantâneas.

Foto: divulgação

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A Elopag quer transformar o Pix, o popular serviço de transferências instantâneas de dinheiro, como base para um canal de comunicação entre empresas e clientes.

A lógica é simples. O usuário baixa um app para receber (e repassar, se quiser) mensagens de empresas. O cadastro é a chave do Pix: o usuário recebe pagamentos por mensagem recebidas ou repassadas.

O aplicativo foi lançado no ano passado com um investimento de R$ 500 mil  e tem até agora cerca de 100 mil usuários e 100 empresas presentes na plataforma, entre elas grandes nomes como Anhanguera e a Kroton.

Para cada mensagem enviada pelo app, a empresa paga R$ 0,02, divididos meio a meio entre o usuário e a Elopag. 

Muito mais atrativo para o usuário é repassar as mensagens a partir do app para seus canais privados, pelo qual o usuário recebe R$ 0,05 por mensagem (a Elopag recebe a mesma quantia, deixando o custo para a empresa em R$ 0,10).

Quando o cliente acumula R$ 50 (5 mil mensagens recebidas, ou 500 repassadas), fica liberado o saque com a Elopag retendo R$ 10.

O chat também possui uma recompensa para aqueles clientes que consumirem o produto ou serviço de uma companhia, com valores entre R$ 1 e R$ 5.

Os pagamentos são modestos, mas também é verdade que o consumidor está acostumado a receber comunicação de graça, então qualquer valor é uma vantagem. As empresas também já gastam somas nessa escala para mandar mensagens em outros canais.

“Por ser consentido não existe o "não perturbe” porque o cliente está ali querendo ser monetizado pela interação com as empresas. Hoje, para enviar um SMS custa R$ 0,4 centavos e ainda é invasivo”, afirma o empreendedor Edgar Melo.

O criador da Elopag tenta afastar o fantasma do spam destacando que a plataforma não é criada para empresas que buscam aumentar sua carteira de clientes, mas sim para se relacionar com os que já possui, convidando-os para participar da plataforma (a explicação deixa de lado o repasse de mensagens).

A empresa também tem preocupações relativas à privacidade de dados, o que, em tempos de LGPD, é chave para o futuro do negócio.

A EloPag valida o número do telefone através de um código de verificação enviado para o número do celular cadastrado, também são solicitados o nome completo, número do CPF, e-mail, preferências dos usuários e dados bancários.

O sistema confere os dados presentes na Receita Federal e transforma a informação em um token, onde o número do CPF ou o Pix se torna o número para contato. 

Para as empresas, fica a vantagem de eliminar gastos de higienização de base de dados uma vez que a conexão com os usuários é preservada mesmo mediante troca do número de celular.

Melo tem experiência em startups B2C. Ele foi um dos fundador da Acordo Certo, uma plataforma de negociação de dívidas com milhões de CPFs cadastrados, na qual vendeu sua participação para os sócios.

Talvez o ponto mais forte da Elopag não esteja tanto na tecnologia, mas na percepção popular sobre o Pix.

Desde o início do serviço, em novembro de 2020, os “usos criativos” da ferramenta se acumulam. Já no primeiro mês viralizou nas redes sociais o caso de uma mulher bloqueada pelo ex-namorado que resolveu enviar transferências de R$ 0,01 (o valor mínimo de uma transferência) com mensagens pedindo desculpas por uma traição.

Em dezembro do ano passado, as transferências via Pix bateram um novo recorde com 51,9 milhões de operações mensais. “Faz um Pix” entrou no vocabulário popular e nas ruas de algumas grandes cidades os artistas de rua nos semáforos divulgam suas chaves.

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