Marco Santos.

A GFT, multinacional alemã de desenvolvimento de software, está aprofundando sua aposta em métodos ágeis na operação brasileira, ampliando a abordagem para todas as suas interações com os clientes e também em áreas internas da companhia como Recursos Humanos.

Da porta para fora, cada cliente será atendido por um time dedicado (os chamados squads no jargão ágil), com responsabilidade sobre prospecção, venda, delivery, evolução da relação até o resultado final financeiro de cada cliente.

Cada cliente será gerenciado por um profissional, responsável tanto pela venda dos projetos como pela entrega deles, eliminando a tradicional divisão entre vendas e desenvolvimento.

“Viemos trabalhando nos últimos anos em ter na equipe pessoas com um perfil end-to-end capazes de fazer a convergência no atendimento do cliente”, explica Marco Santos, managing director da GFT para a América Latina.

Do ponto de vista de desenvolvimento, a empresa adotará em todos os times a abordagem do centro de engenharia ágil aberto no começo do ano passado em Curitiba.

Hoje, o centro é responsável por 16 clientes, incluindo “o primeiro banco com abertura de conta 100% digital do Brasil”, instituições como Sefaz-PR e Copel e projetos offshore para fora do país.

A GFT pretende ainda introduzir práticas ágeis em áreas não relacionadas a TI, o que tem se tornado uma tendência inclusive fora da área de tecnologia (a Gerdau fez um seminário sobre o tema para toda a empresa, incluindo a alta gestão).

“O fluxo de entrega de valor para os clientes deve ocorrer sem percalços dentro da companhia”, explica Santos.

Santos cita o exemplo da área de recursos humanos, que deverá ser capaz de fazer contratações em um ritmo mais rápido, a medida que os projetos evoluem dentro dos clientes de uma maneira menos previsível do que numa abordagem tradicional de fábrica de software.

O RH deve estar ocupado nos próximos meses:a meta da companhia é agregar 200 contratações ao longo do ano, passando da barreira dos mil funcionários no país. Do total, 200 ficarão na capital paranaense, onde o time deve dobrar.

A GFT abriu sua operação no Brasil em 2006 em Sorocaba, no interior paulista, com objetivo de ser um centro de desenvolvimento offshore.

Santos entrou no time em 2011, vindo da área de vendas da TCS, multinacional indiana que então tinha mais ou menos o mesmo plano para o país.

Sob o comando de Santos, a GFT passou a focar mais no mercado local (foi um movimento comum de muitas empresas com centros de off shore), decolando no país desde então: o faturamento cresceu 15 vezes no período e hoje dois terços são oriundos do Brasil.

Em 2016, a empresa registrou um aumento de 157% em seu faturamento no Brasil em 2016, a maior alta entre as unidades do grupo no mundo. 

Fundada em 1987, a GFT conta com uma equipe global de aproximadamente 5 mil colaboradores na Europa, América do Norte e América do Sul. A empresa faturou 418 milhões de euros, 1% abaixo do ano anterior.