Fabio Gandour na BITS. Foto: Baguete.

Fábio Gandour, cientista-chefe da IBM Brasil, deu pistas sobre o que pode ser um novo rumo profissional para ele - o que, quando estamos falando de profissional de ponta em uma das maiores multinacionais de TI do mundo, pode muito bem significar o começo de um reposicionamento generalizado no mercado.

Durante a palestra de abertura da BITS, feira irmã da Cebit iniciada no centro de eventos da Fiergs nesta segunda-feira, 14, Gandour fez menções duas vezes a um “esgotamento” do conceito de inovação e à possibilidade de uma migração profissional em breve.

“Toda essa ideia de inovação está fechando um ciclo. Minha experiência é que esses modismos nos meios de produção tem duração de 10 anos”, disse Gandour [veja mais comentários do cientista-chefe da IBM Brasil abaixo].

Questionado após a apresentação no que quis dizer exatamente com as afirmações, Gandour não deu muitas pistas sobre seu futuro.

“Claro que a inovação continuará sendo praticada. O que acontece é que o termo sofreu uma erosão: hoje tudo é definido como inovação”, afirmou Gandour, afirmando que é parte das tarefas de um profissional “saber se reconstruir”.

O cientista-chefe da IBM Brasil, comandante das operações de P&D da multinacional inauguradas no país em 2010, é vago sobre qual será a sua reconstrução no seu caso específico.

“Eu tive a sorte de estar em Berkeley, o lugar certo para se estar quando essa onda de inovação começou a surgir entre 2003 e 2004. O que eu posso dizer é que vou seguir na IBM. Vocês não vão se livrar de mim, nem eles”, brinca Gandour.

CONFIRA A PALESTRA

De que lado da linha você está?

“JOB T LIST SOURCE PROGRAM. Saber o significado disso divide uma linha entre profissionais que tem um passado em TI e os que tem um presente e um futuro. Houve um tempo que os computadores estavam numa sala de vidro fechada. Depois, passaram a estar em cada mesa e hoje estão em toda parte e em breve dentro dos nossos corpos. Não pode mais existir um gerente de informática senhorial, fechado em uma sala".

A BITS

"Se você fosse nas feiras do passado, como a Comdex, eram espaços onde só havia lugar para as vacas sagradas. Na BITS, o foco ainda é B2B, mas já se vê muitas empresas com produtos para o consumidor final ou organizações menores. Hoje quando se fala em tecnologia, a feira referência é a CES, que é totalmente orientada para consumidor final. A Apple é uma empresa que voltou a triunfar porque é totalmente voltada para o consumidor. Houve um tempo em que o fornecedor de TI podia não dar a mínima para o consumidor, mas essa época passou".

O cenário de TI do Sul

"Estive recentemente na Mercopar e fiquei impressionado. As empresas estão muito avançadas quando o assunto é automatizar seus processos. Mas se eu tivesse que apontar uma tendência futura de investimento em tecnologia para as empresas de manufatura, eu diria que é automatizar os projetos. Há como melhorar o trabalho de análise da compatibilidade entre as peças importadas e nacionais em máquinas, por exemplo".

Big Data

"A cada X tempo surge em TI uma nova tecnologia que o marketing das empresas transforma na panacéia para tudo. Eu lembro essa resposta era a arquitetura cliente servidor [risos]. Big Data é sem dúvida uma inovação importante, mas é preciso frisar que uma análise desse tipo mostra o quê e não o como das coisas. Você pode saber que os consumidores da sua padaria compram R$ 10 em pão e R$ 30 em extras das 16h às 18h, mas é preciso pesquisa e entendimento para saber porque isso ocorre e como se aproveitar desse dado".