Sundar Pichai, CEO do Google. Foto: flickr.com/photos/danicuki.

O Google anunciou que planeja investir US$ 10 bilhões na Índia nos próximos cinco a sete anos, por meio do recém criado fundo Google for India Digitization.

De acordo com o site TechCrunch, o valor será empregado em quatro diferentes áreas, começando pela acessibilidade de informações a todos os indianos em seus próprios idiomas, sejam eles hindi, tamil, punjabi ou qualquer outro. 

Depois, a empresa deve investir na construção de novos produtos e serviços que sejam “profundamente relevantes para as necessidades exclusivas da Índia”.

Em terceiro lugar, o Google planeja capacitar as empresas à medida que elas continuam embarcando em sua transformação digital. Por fim, a ideia é alavancar tecnologia e inteligência artificial em áreas como saúde, educação e agricultura.

“Faremos isso por meio de uma combinação de investimentos em ações, parcerias e  investimentos operacionais, em infraestrutura e em ecossistemas. Isso é um reflexo de nossa confiança no futuro da Índia e em sua economia digital”, afirmou Sundar Pichai, CEO do Google, na videoconferência de um evento anual da empresa.

Para se ter uma ideia, o último investimento divulgado pelo Google no Brasil foi de R$ 700 milhões entre 2017 e 2018. Anteriormente, a empresa tinha investido R$ 500 milhões no país entre 2013 e 2016.

Na época, a maior parte do valor foi destinada a três cabos submarinos, aumento do data center para serviços de computação em nuvem e um estúdio para produtores de conteúdo do YouTube no Rio de Janeiro.

Ainda de acordo com a publicação, a Índia é um mercado internacional importante para o Google, onde diversos produtos e serviços, incluindo Search, YouTube e Android, são utilizados pela maior parte da população on-line do país.

Com mais de 1,3 bilhão de pessoas, o país asiático talvez seja o último grande mercado de crescimento inexplorado para gigantes americanos e chineses. O país tem mais de 500 milhões de pessoas on-line e mais de 450 milhões de smartphones em uso ativo.

"Ainda há mais trabalho a ser feito para tornar a Internet acessível e útil para um bilhão de indianos. Desde melhorar a entrada de voz e a computação em todos os idiomas da Índia até inspirar e apoiar toda uma nova geração de empreendedores", ressaltou Pichai, que é indiano.

O anúncio do Google chega em um momento em que a Índia parece estar fechando as portas para a China.

No mês passado, Nova Deli proibiu 59 aplicativos e serviços desenvolvidos por empresas chinesas. Entre os que foram proibidos, estão o TikTok, da ByteDance, o UC Browser, do Alibaba Group, e o WeChat, da Tencent.

Alguns participantes do setor acreditam que essa proibição ajudaria os gigantes da tecnologia americanos a expandir ainda mais seus tentáculos pela Índia, já que vão enfrentar uma concorrência menor.

Em abril deste ano, o governo do primeiro-ministro Narendra Modi também alterou sua política de investimento direto estrangeiro para exigir que todos os países vizinhos, incluindo a China, busquem a aprovação de Nova Deli para seus futuros acordos no país.

Para dezenas de startups indianas, incluindo os unicórnios Zomato, Swiggy e Paytm, que contam com investidores chineses como alguns de seus maiores patrocinadores, a ação de Nova Deli provavelmente resultará em dificuldades adicionais na obtenção de capital futuro.

O Google já apoiou algumas startups na Índia até o momento, incluindo a Dunzo, serviço de entrega hiperlocal com sede em Bangalore. 

Em maio, o Financial Times informou que a empresa americana estava conversando com a Vodafone Idea, a segunda maior operadora de telecomunicações da Índia, para adquirir uma participação de 5% na companhia.

"Estou muito feliz que o Google esteja reconhecendo a inovação digital da Índia e a necessidade de criar mais oportunidades", destacou Ravi Shankar Prasad, ministro de eletrônica e tecnologia da informação da Índia, ao TechCrunch.

O Google, que iniciou suas operações na Índia em 2004, estendeu seu alcance no país através de negócios com fornecedores locais de smartphones para produzir e vender aparelhos de baixo custo que recebem atualizações de software mais frequentes.

Caesar Sengupta, GM e VP de pagamentos e next billion users do Google, disse que a empresa se concentrará em “habilitar mais smartphones de baixo custo e alta qualidade para que mais pessoas possam acessar a Internet para aprender, crescer e ter sucesso".

O Facebook, que rivaliza com o Google e a Amazon na Índia, fez um investimento de US$ 5,7 bilhões na Reliance Jio Platforms, a maior operadora de telecomunicações do país, em abril deste ano.

Jeff Bezos, fundador e executivo-chefe da Amazon, disse durante sua visita à Índia, no início de 2020, que a empresa estava investindo mais US$ 1 bilhão no país, completando um compromisso de US$ 6,5 bilhões.