Gileno Barreto, novo presidente do Serpro.

O Serpro trocou de presidente, em meio a um remanejamento de nomes dentro do Ministério da Economia.

O atual diretor presidente da estatal federal de tecnologia, Caio Andrade, ocupará a Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, substituindo Paulo Uebel, que deixou o governo.

A presidência do Serpro passa a ser de Gileno Barreto, atual diretor Jurídico e de Governança e Gestão da empresa, onde esteve envolvido com a Lei Geral de Proteção de Dados. 

Barreto é advogado, com passagem por grandes bancas focadas em direito empresarial e 20 anos na PwC, entre 1991 e 2010. 

(A direção atual do Serpro, aliás, tentou contratar a própria PwC para fazer uma auditoria na empresa. O contrato de R$ 12 milhões foi barrado pelo Tribunal de Contas).

No Serpro, a mudança no comando não deve significar grandes mudanças na estratégia geral da estatal, que vem sendo se preparar para uma eventual privatização. 

Se a privatização no final vai ocorrer ou não, com a perda de influência da ala liberal dentro do governo, é agora incerto.

A perda de influência, inclusive, se reflete em diversas saídas do governo, classificadas pelo próprio Paulo Guedes como uma “debandada”.

A última leva incluiu o secretário de Desestatização e Privatização, José Salim Mattar, e o de Desburocratização, Paulo Uebel, agora substituído por Andrade.

A tônica da saída dos dois indica que Andrade não terá um trabalho fácil. Segundo o relato de Guedes, tanto Mattar quanto Uebel deixaram o governo descontentes com a lentidão do avanço da agenda reformista.

Uma das primeiras nomeações do novo governo, Andrade participou do boom da Internet brasileira, no final dos anos 90. 

Em 1999, ele era presidente da PSINet Brasil e diretor-geral para América Latina. Adquiriu e consolidou 15 provedores de acesso na região, sendo o principal deles o STI em São Paulo.

Na presidência do Serpro, uma posição com bastante mais autonomia para tomar decisões que as secretarias do Ministério da Economia, Andrade emplacou diversas mudanças.

A estatal se tornou uma revendedora da nuvem da AWS para órgãos do governo (outras parcerias do tipo estão previstas).

Também no final do ano passado, a empresa começou a cadastrar fornecedores para desenvolvimento de software em uma ampla gama de tecnologias, preparando o que parece ser um movimento de terceirização.

A estatal lista 34 tópicos nos quais as empresas podem se cadastrar, cada uma com diferentes tecnologias.

A lista vai desde 13 diferentes linguagens de programação até componentes de assinatura digital, passando por plataformas de gerenciamento de projetos, frontends, CMS, middleware, testes automatizados e mensageria.

A estimativa é de uma economia de até 50% do "esforço" das equipes internas do Serpro, percentual que costuma ser utilizado nos “processos de codificação”.