Eduardo Antonini, presidente da Grêmio Empreendimentos. Foto: Baguete.

O Grêmio Football Portoalegrense está em conversação com a SAP para a aquisição um sistema de gestão, em uma negociação que pode inclusive afetar o nome do futuro estádio do clube.

A informação foi obtida pelo Baguete Diário de fontes próximas ao clube e confirmada pelo presidente da Grêmio Empreendimentos, Eduardo Antonini, nesta sexta-feira, 14, após uma uma palestra no Seminário de Gestão de Projetos da PMI-RS.

Antonini não quis entrar em detalhes, mas segundo ele, as tratativas estão em andamento e sim, envolvem o uso dos naming rights da empresa alemã na arena. Procurada pelo Baguete, a SAP não se pronunciou sobre o assunto até o fechamento desta matéria.

O dirigente é uma fonte autorizada para falar do assunto: a Grêmio Empreendimentos é uma empresa criada pelo tricolor gaúcho para gerir a construção da obra, um projeto de R$ 500 milhões que deve ser entregue até dezembro.

O nome do engenheiro eletricista de 42 anos chegou a circular como um dos cotados para suceder o presidente Paulo Odone à frente do clube, antes do surgimento da candidatura do dirigente histórico Fábio Koff, que colocou Odone no páreo de novo.

Além do cacife político dentro do Grêmio, Antonini também entende de TI. Foi diretor da Secretaria de Informática do Tribunal Regional do Trabalho da 4a. Região e foi eleito em 2009 pela Computerworld um dos 100 principais CIOs do País.

Durante a apresentação, o presidente da Grêmio Empreendimentos destacou como o fato da Arena ser construída de forma ecologicamente sustentável, tendo em vista uma certificação de prédio verde LEED, tem atraído empresas interessadas em ter seu nome associado ao estádio.

"A Sony, por exemplo, é uma empresa que atualmente só associa seu nome a prédios que tenham este tipo de certificação", destacou.

A Arena fará reaproveitamento da água da chuva, contará com sistemas de baixa emissão de poluentes e tem um teto transparante desenhado para aproveitar ao máximo a luz solar.

O apelo verde pode pesar a favor do Grêmio na negociação com a SAP. O centro de desenvolvimento e suporte da multinacional, em São Leopoldo, foi a primeira obra a ser construída no padrão LEED no Rio Grande do Sul, obtendo a certificação oficial em janeiro.

NOVAS RECEITAS
Um dos pontos frisados por Antonini, ao falar sobre a Arena, é a criação do estádio como um projeto novo, impulsionando a receita do clube em novas direções.

Ingressos, licenciamentos, patrocínio e concessões de bares e restaurantes ocupam cerca de 55% da receita a ser gerada pela Arena.

Os outros 45% são destinados ao ramo de hospitalidades, um serviço novo que promete ser o diferencial da arena, ressalta o VP.

Um destes exemplos são as cadeiras gold, assentos premium, uma iniciativa já comum na Europa, com acesso e serviços exclusivos para torcedores e sócios VIP.

"São lugares mais caros, dado o conforto oferecido por eles, mas contribuirão para a vinda de um público novo ao estádio", explicou.

Em um contrato por 20 anos, as receitas geradas pela arena são dividas em 65% para o Grêmio e o restante para a OAS, empresa responsável pela construção do estádio e do complexo comercial e residencial no entorno da obra.

Tirando o estádio, o faturamento gerado pelas obras será da OAS, que utilizará o nome do Grêmio para agregar valor aos produtos.

Segundo Antonini, a estratégia já é um sucesso. "Da primeira etapa da obra, vendemos cerca de mil apartamentos em aproximadamente 12 horas", revela.

Além disso, o terreno na Azenha, onde atualmente fica o Estádio Olímpico, também será repassado à construtora.


CAMAROTES
Conforme Antonini, cadeiras Gold e Camarotes ocuparão cerca de 20% da capacidade de público na arena, prevista para receber até 60 mil torcedores.

O estádio é o primeiro do Brasil a ser construído totalmente dentro das normas da Fifa.

Ao falar dos camarotes, o executivo reforçou a importância do meio empresarial para o sucesso da empreitada.

O Grêmio já está em conversação com diversas companhias do estado, interessadas em levar suas marcas para dentro da arena.

De acordo com Antonini, cerca de 60 unidades já foram vendidas.

"Preparamos estes camarotes com funcionalidades especiais para as empresas, nos quais elas possam colocar escritórios, show rooms e outras hospitalidades. Um jogo pode também virar uma oportunidade de negócio", afirmou.


CORNETA
Naturalmente, como é de se esperar no futebol, Antonini não deixou de alfinetar o rival Internacional na ocasião.

Ao iniciar a palestra, o executivo se posicionou no lado mais à esquerda da mesa oficial, fazendo referência ao debate que teve com a arquiteta e conselheira do Inter, Diana Oliveira, na edição 2011 do seminário.

"Me esqueci que ela não estaria aqui hoje. Foi melhor, até porque se ela viesse falar do projeto do Beira-Rio, teria que dizer que nada do projeto apresentado em 2011 foi cumprido até o momento", sapecou.

Em um tom mais sério, mas ainda cutucando o Inter, Antonini falou sobre o receio de Porto Alegre ter problemas na Copa do Mundo, com os atrasos na reforma do Beira-Rio.

Segundo ele, já foi uma lástima para a cidade perder a Copa das Confederações de 2013.

"Tenho medo que (o Beira-Rio) não fique pronto a tempo, o que resultaria em todo um processo de emergência para criarmos mecanismos de transporte e logística para a Arena, quem sabe, receber este evento", explicou.