Jorge Audy, Scrum Master no Grupo RBS. Foto: Baguete.

Unir as equipes e trabalhar intensamente para entregar as soluções de forma ágil. Segundo Jorge Audy, coordenador e Scrum Master na área de Produtos Digitais do Grupo RBS, este é o segredo do sucesso de diversas iniciativas da empresa nos últimos anos.

Audy foi um dos palestrantes no Seminário de Gerenciamento de Projetos da PMI-RS, nesta sexta, 14, no Centro de Eventos da PUC.

Formado em análise de sistemas pela PUC, ele passou por empresas como a Praxis e ADP Brasil, antes de sua chegada na RBS em 2007.

Conforme o palestrante, o uso do Scrum no desenvolvimento das soluções digitais se deve à chegada na empresa de Duda Melzer, recentemente nomeado presidente executivo do grupo de comunicação.

"A partir desta mudança, há dois anos nasceu a ideia do RBS Agile Process (RAP)", explicou Audy. Com base no manifesto ágil, a equipe de Produtos Digitais do grupo, sediada no Tecnopuc, definiu novas estratégias de trabalho.

SEM SE TRUMBICAR

Antes mesmo de implantar os mecanismos do Scrum, como os backlogs e sprints, a empresa teve que refazer seu método de comunicação.

Segundo Audy, um exemplo foram os emails, que foram trocados pela comunicação direta entre os colegas de equipe.

"Via e-mail, um processo que poderia ser feito em 5 minutos levava uma hora para ser completado. E isso que as pessoas ficavam a cerca de dez metros uma da outra", explicou.

Isso também resultou em uma reorganização física do trabalho, onde os membros das equipes foram aproximados, facilitando a comunicação.

"Não precisa de sala para fazer reunião. O grupo está junto, faz a reunião ali mesmo", exclamou.

Após quatro meses de ajustes, o grupo começou a trabalhar dentro do modelo Scrum.

SAI O FEUDO

Estabelecido um formato de trabalho onde a interação constante é base fundamental, para Audy o desafio foi colocar os profissionais em posições de igualdade.

"Antes trabalhávamos em um método feudal, com uma estrutura vertical, onde o gerente dava as ordens e os funcionários obedeciam", lembrou.

Conforme ele, um dos pontos da virada foi a criação de um pacto de trabalho. "Parece coisa de lobinho, até porque eu sou chefe escoteiro, mas isso contribuiu para a união do grupo, que vestiu a camisa para definir melhorias no trabalho", comentou.

Dinâmicas, jogos, reuniões diárias. De acordo com Audy, através do diálogo, os funcionários pararam de simplesmente seguir as ordens dos superiores e passaram também a discutir seu trabalho, pensando em soluções e melhorias válidas.

"Nas reuniões, o Scrum Master é o último a falar, e é melhor ainda se não precisar falar nada. O objetivo é fazer a equipe conversar sobre as soluções", ressaltou.

RESULTADOS

Usando Scrum no setor de Produtos Digitais, projetos que pareciam impossíveis foram solucionados, comemorou o palestrante.

Um exemplo foi a implantação do Rural BR, um portal de informação de agronegócios do Grupo RBS, lançado em 2011.

Segundo Audy, o projeto estava atrasado, com diversos problemas e faltava apenas um mês para a sua data de entrega. Para muitos, parecia impossível concluir a tempo.

"Não apenas o entregamos, como também fomos dispensados de precisar acompanhar o sistema do portal. Ele estava completo, precisou ficar apenas com sua equipe de conteúdo", gabou-se.

A iniciativa agora se espalha por outros setores do Grupo RBS. Conforme o palestrante, setores como RH, contabilidade, entre outros, estão adotando métodos que deram certo na divisão do Produtos Digitais.

CRÍTICA

Segundo Audy, o mercado de TI ainda vive com uma ideia equivocada. Para ele, muitos tem a noção de trabalho árduo como algo que envolve jornadas de trabalho de 12 horas e ambientes estressantes.

No conceito do scrum master, a proximidade entre os membros da equipe faz com que cada um tenha a noção do trabalho realizado pelo outro.

"Eu posso passar na sala de jogos aqui do trabalho, ver um dos funcionários brincando no Xbox, mas eu sei que ele está em dia com o trabalho proposto", afirmou.