Cristiano Franco. Foto: Divulgação.

Ser um boutique de desenvolvimento de TI, contratando apenas profissionais fora de série para resolver problemas de desenvolvimento únicos.

É o pitch de muitas companhias de tecnologia para se dissociar do mercado de fábrica de software, com sua aura industrial de produção em massa e as correspondentes margens de lucro minúsculas.

A Poatek é uma empresa de Porto Alegre fazendo essa proposta, e, ao que tudo indica, conseguindo entregar.

A companhia foi fundada em 2015 por Cristiano Franco, um profissional que fez carreira na Dell, onde entrou como trainee e passou 10 anos, chegando a ser gerente de programa sênior de TI.

Franco foi pesquisador no programa de VR da Universidade de Lausanne, na Suíça, além de professor de Ciência da Computação na Unisinos.

Em determinado momento dessa trajetória, Franco percebeu que progredir profissionalmente envolveria deixar o país, uma opção que ele não estava disposto a considerar.

"Me dei conta que pelo estágio de Porto Alegre como um hub de tecnologia, essa situação poderia ser uma oportunidade para quem oferecesse projetos desafiadores e a remuneração certa", comenta Franco.    

Desde o começo dos anos 2000, a capital gaúcha se tornou um polo de atração para operações de desenvolvimento de software de multinacionais como HP e Dell, inicialmente instaladas no parque tecnológico da PUC-RS, o Tecnopuc.

A tendência foi reforçada mais tarde pelo Tecnosinos, parque tecnológico da Unisinos em São Leopoldo, na região metropolitana, onde atualmente está instalado um centro de desenvolvimento e suporte da SAP.

Hoje essas empresas empregam algumas centenas de profissionais no Rio Grande do Sul e serviram como um passaporte para fora do estado e do país para outras centenas, que eventualmente podem querer voltar, mas não enxergam oportunidades de trabalho.

Esse público, mais os profissionais sênior de empresas de desenvolvimento locais, é o alvo de Franco, que afirma ter construído uma empresa com projetos desafiadores o suficientes para satisfazer os melhores profissionais.

"Estamos mirando no nicho de médias empresas do setor financeiro nos Estados Unidos com problemas de desenvolvimento complexos. Esse tipo de cliente não tem acesso lá ao nível de profissionais que nós oferecemos", afirma o empresário gaúcho.

Franco está alavancando esses contratos por meio do seu próprio network, e, mais recentemente, pelo de Lando Kravetz, um gaúcho que foi head de vendas para América do Norte de serviços de infraestrutura da Capgemini e está baseado hoje em Miami. Assim como Franco, Kravetz é investidor em startups aceleradas pela Ventiur.

Hoje, são 12 clientes atendidos, 10 deles nos Estados Unidos. A Poatek não abre os nomes, mas dá pista sobre o tipo de projetos, incluindo um modelo preditivo de risco de crédito e base técnica para uma startup do ramo de fintech.

Franco afirma que a Poatek avalia 100 nomes para fazer uma contratação, fazendo uma espécie de processo seletivo permanente.

Se a Poatek mantiver o foco no tipo de projetos que atende atualmente e as práticas de RH exigentes, será complicado escalar o negócio, uma dificuldade que Franco reconhece. 

A empresa tem ao redor de 30 funcionários e o faturamento gira na casa dos R$ 10 milhões.

"Não é uma empresa para crescer sem parar. Nós temos um foco", resume o empresário.