Andy Jassy e Pat Gelsinger.

A WMware e Amazon Web Services fecharam um acordo para lançar um serviço de nuvem híbrida.

Na chamada VMWare Cloud on AWS será possível rodar os softwares de virtualização de servidores, armazenamento e redes da VMware em infraestrutura dedicada e customizada da AWS.

"É uma combinação do melhor da nuvem privada e pública", resume Pat Gelsinger, CEO da VMWare.

A novidade ainda está em fase de preview, com betas para convidados disponíveis só a partir do começo do ano que vem.

Esse é o segundo acordo desse tipo da VMware. O primeiro foi fechado em fevereiro com a IBM.  Hoje 1 mil clientes já transferiram seus ambientes VMware para a nuvem Softlayer da IBM.

Acordos como esses são uma mudança de postura da VMware, que ainda em 2013 se propunha a ser a "dona" dos workloads corporativos, competindo de frente principalmente com a Amazon.

Segundo uma pesquisa da Synergy Research Group, a empresa tem sozinha 31% do mercado de infraestrutura na nuvem, seguida por Microsoft (11%), IBM (8%) e Google (5%). 

Apesar da dominância na nuvem pública, bater de frente com a VMware também não era um bom negócio para a AWS, uma vez que a maioria do processamento de dados ainda é feito em ambientes tradicionais e deve ser feito de maneira híbrida no futuro.

"As empresas querem usar o mesmo software que elas usam on premise também na nuvem", afirma Andy Jassy, CEO da AWS.

De acordo com dados da VMware, só 73% das cargas de trabalho é processado em ambientes de TI tradicionais. Outros 12% são feitos em nuvens privadas e 15% em nuvens públicas.

A projeção é que em 2021 a distribuição seja 50%, 20% e 30%. Só a partir de 2030 o jogo vira, com nuvem pública com 52%, privada com 29% e apenas 19% nos ambientes tradicionais.

A transição está em curso. De acordo com os dados da VMware, 2016 foi o primeiro ano no qual provedores de serviço investiram mais em data centers do que as empresas individualmente.

O acordo transforma a VMware em uma grande revenda da AWS, ao mesmo tempo em que reforça o seu posicionamento como um provedore de tecnologia para data center definido por software.

O negócio tem repercussões para todo o ecossistema de tecnologia.

A AWS se fortalece contra a Microsoft, segunda colocada no mercado de nuvem pública e também ela dona de uma combinação de infra e software.

Outras companhias com ofertas para nuvem privada, como HPE e Red Hat podem ser obrigadas a fechar acordos parecidos.

Finalmente, a Oracle, que no último Oracle Open World abriu uma guerra de preços contra a AWS e esperava ganhar share oferecendo o stack completo de tecnologia e integração de nuvem híbrida, fica com o argumento um pouco enfraquecido.