Um investimento em P&D e um passeio na Avenue des Champs-Élysées. Foto: flickr.com/photos/lambertwm

A França quer atrair investimentos de empresas brasileiras na área de pequisa e desenvolvimento. O país acaba de ser incluindo na campanha “Diga OUI à França. Diga OUI à Inovação”.

O projeto é realizado pelas organizações francesas Invest in France Agency (Agência Francesa para Investimentos Internacionais - AFII) e o Institut National de la Propriété Industrielle (Instituto Francês de Marcas e Patentes).

Além do Brasil, Estados Unidos, Canadá, Índia e China foram os escolhidos para receberem atividades que pretendem atrair com incentivos empreendedores e empresas que desejam expandir negócios na Europa.

François Removille, diretor geral da Invest in France no Brasil, Um dos incentivos é o dispositivo do crédito fiscal francês para pesquisas (crédit d’impôt recherche, ou CIR, em francês). O CIR cobre 40% de todos os gastos em P&D no primeiro ano, 35% no segundo ano e 30% nos anos subsequentes.

“Um grande diferencial da França nessa questão é a ausência de restrições administrativas para investimentos estrangeiros. Os investidores podem comprar ou alugar propriedades, adquirir empresas francesas ou criar pessoas jurídicas sem ter que investir uma quantia mínima ou gerar um número mínimo de empregos”, explica.

Segundo o diretor, a estrutura jurídica selecionada pode ser implementada de modo temporário ou permanente sem qualquer risco jurídico e os investidores também têm liberdade para alterar seus planos após sua apresentação.

Outro ponto forte do país é qualidade da mão de obra e as universidades de alto nível. “Elas oferecem uma mão de obra altamente capacitada, além de excelentes centros de pesquisas”, afirma Removille.

O momento é bom para contratar na França. Dados de setembro apontam que o país tem no momento o maior índice de desemprego em 13 anos, na faixa dos 10,2%.

A segunda maior economia da zona do euro está no terceiro trimestre consecutivo de crescimento zero da economia, fato que não promete um mercado disputado por talentos num futuro próximo.

Removille também se esforça para desenhar uma imagem business-friendly da França, um país que mantém uma jornada de trabalho de 35 horas costuma frequentar o noticiário por imensas greves em defesa de uma extensa lista de benefícios concedidos à força de trabalho.

Segundo o executivo, o país recebe um terço dos investimentos brasileiros na Europa. Natura e Embraer, por exemplo, atuam na França por meio da AFII.

“Em média, é possível realizar todos os trâmites para abrir uma empresa no país em até sete dias”, diz o diretor geral da Invest in France no Brasil.

Desde a abertura do seu escritório no Brasil, em junho de 2010, 45 projetos de empresas brasileiras estão sendo acompanhados pela AFII, dos quais 20 estão ligados a P&D e inovação. Conforme o executivo, os projetos abrangem diferentes setores: química, energia renovável, aeronáutica, eletrônica, ótica, biotecnologia, nanotecnologia e TI.

“Acredito que o volume de projetos – foram quatro decisões positivas em 2011 e quatro também em 2012 - aumente com o tempo e, também, à medida que as empresas brasileiras se tornarem mais internacionais”, projeta.

ENCONTRO
O Diretor de Invest in France Agency, David Appia. fará uma visitas ao Brasil para engajar empresas e promover a campanha.

Ele participará de eventos da área de economia e inovação em Campinas, no dia 21 de novembro, e em São Paulo, no dia 22 de novembro.