Antonio Carlos Valente, presidente da Telefônica/Vivo.

"Por sorte, Porto Alegre não está na Copa das Confederações". Quem diz é o presidente da Telefônica, Antônio Carlos Valente, ressaltando que investir não basta se a legislação local não favorecer a implantação de novas antenas.

O executivo, que esteve na capital gaúcha nesta sexta-feira, 14, para o anúncio do projeto Escolas Rurais Conectadas, também comentou a multa que o Procon gaúcho aplicou esta semana nas operadoras.

As multas ficaram em R$ 138,8 mil para Vivo, Claro e Oi, e R$ 166,6 mil para a TIM, por ter sido a que menos comprovou investimentos no prazo estipulado, conforme dados do Procon da capital.

Segundo Valente, a Vivo está trabalhando dentro do cronograma de investimentos previsto até 2016, que é de R$ 24,3 bilhões. No entanto, os entraves legislativos impostos pelos municípios tornam difícil a melhoria do serviço.

Para o presidente, Porto Alegre conta com uma das legislações mais complicadas, com restrições de distância entre antenas, proibição de estações-base em regiões populosas e no topo de prédios.

"É uma situação delicada. Para se ter uma idéia, desde julho (quando a Anatel suspendeu os serviços das operadoras em diversos estados do país), só conseguimos implantar duas novas estações em Porto Alegre", revelou Clenir Wengenowicz, diretora da Vivo para a região Sul.

Em Porto Alegre, a legislação das antenas está em banho-maria, com um projeto de lei em trâmite na Câmara de Vereadores desde 2011, mas que seguia parado, à espera de uma legislação federal.

E ao que tudo indica, a espera acabou. Foi aprovado no Senado nesta quinta-feira, 14, um substituitivo de lei para agilizar a aprovação da nova Lei das Antenas, que deve ir à votação na Câmara de Deputados ainda neste ano.

Entre as ampliações propostas no projeto substitutivo, estão investimentos na ampliação e modernização das redes através do compartilhamento de infraestruturas, e a simplificação no licenciamento para a instalação de novas antenas.

"Já tivemos vitórias com a desoneração em algumas áreas como o M2M e investimento em redes rurais, mas é preciso também modernizar a lei das antenas", destaca Valente.

NOVAS SOLUÇÕES

A Vivo vem investindo em novas soluções para facilitar a implantação de novas antenas e estações nas grandes cidades.

No Rio de Janeiro, a empresa está experimentando o uso de postes de luz adaptados para implantação de novas antenas, com estações-base subterrâneas ligadas ao equipamento de transmissão.

"É uma forma de evitar a poluição visual e diminuir o espaço ocupado pelas estações", explica Valenti.

ESSENCIAL PARA O 4G

A implantação do novo sistema de internet móveis - o 4G - é decisivamente ligada à necessidade de novas antenas, afirma o presidente da Vivo.

"Será necessário um aumento de infraestrutura, já que o sinal 4G opera com uma frequência maior, com menor área de cobertura. Precisaremos de mais antenas", observa.

Diferentemente de outras operadoras, como a Claro, que já lançou sua operação 4G em um número limitados de cidades, a Vivo mantém seus planos para o 4G na surdina. Porém, Valenti assegura que a operadora estará pronta para a Copa das Confederações e Copa do Mundo.

"Estamos trabalhando em parceria com a Telefônica Alemanha, que já está com uma operação em andamento, e vamos trazer esta expertise para as cidades-sede destes eventos", ressalta.

ESCOLAS RURAIS

O projeto Escolas Rurais Conectadas, promovido pela Fundação Telefônica, disponibilizará conexão à internet via 3G em cem municípios de sete estados do país. Na região sul, 33 escolas gaúchas foram contempladas e 11 em Santa Catarina.

Conforme a operadora, cerca de 11 mil alunos e 500 professores serão contemplados com a iniciativa em todo o país.

Cada escola recebeu dois notebooks com sistemas operacionais adaptados para atividades educativas e, a partir do próximo ano, a fundação fornecerá conteúdos educativos especiais para as escolas, além de cursos de qualificação tecnológica aos professores.

"Este projeto alinha a nossa estratégia de negócios à nossa responsabilidade social, avaliando o impacto da chegada da tecnologia nessas escolas e comunidades", avalia Valente.