Eduardo Amorin. Foto: Fernando Conrado.

O Banco Agiplan, sediado em Porto Alegre, acaba de lançar o Agipag, um sistema de micropagamentos e conta digital no celular. 

A instituição financeira gaúcha é sócia majoritária no empreendimento, que também tem a participação da Stefanini, responsável pelo desenvolvimento do sistema, que pode ser usado para pagamentos entre pessoas físicas, de físicas para jurídicas e vice e versa.

O Agipag tem um processo facilitado de abertura de conta, baseado na checagem do CPF ou CNPJ e alguns documentos cadastrados de forma eletrônica pelos usuários, tanto pelo lado dos pagadores como receptores.

Os usuários podem carregar créditos por transferência bancária ou pagamento de boletos, Os valores podem ser sacados a qualquer momento. A empresa destaca que nenhum tipo de usuários terá que pagar taxas de nenhum tipo.

O aplicativo vem com uma linha de crédito pré-aprovado que dá um prazo de até cinco dias corridos sem cobrar juros no caso de utilização do limite.

“O lucro da Agiplan virá de aplicar o dinheiro no mercado financeiro enquanto ele estiver dentro da plataforma. Por tanto, quando mais os créditos circularem, melhor para nós”, aponta Eduardo Amorin, CIO da Agiplan e CEO da Agipag, que operará como uma empresa independente.

Amorin entrou na Agiplan em 2014, e é um executivo experiente no segmento financeiro, tendo passado sete anos como diretor adjunto de TI na Visa Vale e passagens pelas áreas de TI do ABN Amro, Unibanco e Banco Nacional.

A ideia é usar a praticidade para roubar uma parcela do mercado das operadoras de cartão, que cobram uma taxa de entre 3,5% e 7% dos comerciantes usuários das máquinas, além de reterem o dinheiro por um mês.

Segundo o presidente do Banco Agiplan, Marciano Testa, a indústria de meios de pagamentos por cartão de crédito cobra mais de R$ 30 bilhões ao ano do varejo e dos usuários. 

No momento, o Agipag tem 50 mil contas abertas, a grande maioria oriunda de uma ação de patrocínio do Planeta Atlântida, um festival de música popular no Sul do país. 

Usuários do app puderam comprar ingressos antecipados. O Agipag será usado também como meio de pagamento no evento, que atraiu 80 mil pessoas no ano passado.

O Agipag é mais um passo na diversificação dos negócios da Agiplan, até pouco tempo atrás concentrada no mercado de empréstimos pessoais, no qual era uma das empresas como maior crescimento no país.

No começo do ano, a Agiplan comprou a  Banco Gerador, com forte atuação de varejo e atacado no Nordeste do Brasil e 200 mil clientes. A tecnologia de conta corrente do Gerador serviu como base para o Agipag.

Com a aquisição, a Agiplan projetava romper a casa de R$ 1 bilhão de ativos e ter um patrimônio líquido de R$ 300 milhões em 2016.

A participação da Stefanini no negócio é chamativa.  De uns tempos para cá, a gigante de tecnologia não se contenta mais com apenas fornecer serviços de TI para o segmento financeiro, no qual está se tornando um mini player, com um apreço especial por companhias gaúchas.

Em agosto de 2015, a empresa comprou uma participação de 40% na  Saque e Pague, rede de caixas multisserviços também sediada em Porto Alegre.