Durante o Cisco Live Latam, Renato Silveira Pazotto, líder do Smart+Connected Cities da Cisco na América Latina, conversou com a reportagem do Baguete. Foto: Divulgação.

O Brasil está atrasado na área de cidades inteligentes e longe de alcançar seu potencial neste segmento.

Para Renato Silveira Pazotto, líder do Smart+Connected Cities da Cisco na América Latina, países como Colômbia, Equador e Chile estão mais avançados no tema pela facilidade maior de implantação de tecnologia de ponta. O executivo conversou com a reportagem do Baguete durante o Cisco Live Latam 2018, realizado em Cancun.

Neste momento, algumas cidades no Brasil trabalham para melhorar sua infraestrutura, o que pode possibilitar o avanço de ações em smart cities no futuro. A Cisco tem contatos com nove municípios em relação a projetos de cidades inteligentes no país.

“A maioria das cidades com as quais começamos a conversar estão pouco estruturadas em relação a infraestrutura de rede. Uma das cidades mais avançada é Jundiaí, atraveś da Companhia de Informática de Jundiaí (Cijun), que tem processos eletrônicos e rede de fibra crescendo para suportar a conectividade de todos os órgãos e áreas como gerenciamento de trânsito e segurança”, destaca Pazotto.

Com uma rede desenvolvida, as cidades podem pensar em avanços com sensorização e coleta de informações que podem ser utilizadas posteriormente em ações como planejamento urbanístico.

“O Brasil tem ficado um pouco para trás até na fase de infraestrutura, por ter uma desvantagem grande que é o peso de impostos em importação de equipamentos. Não temos uma indústria nacional que supra essa necessidade e o que vem do exterior é altamente taxado. Enquanto temos um total de 80% do valor de carga tributária, o Uruguai tem 2%, a Colômbia tem 10% e o Chile, 5%, então é uma discrepância muito grande”, completa o executivo da Cisco.

Um dos projetos da empresa no país foi realizado em Belo Horizonte e contou com a implantação de um sistema para gerenciar a iluminação pública a partir de um acordo com a Logicalis, parceria da Cisco. 

O projeto foi firmado com a BHIP, concessionária de iluminação pública de Belo Horizonte que venceu uma concorrência no modelo parceria público-privada (PPP) e iniciou sua operação em 2017.

Com a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) à presidência do Brasil, a Cisco aguarda para entender quais serão as novidades em relação a projetos de tecnologia e cidades inteligentes.

“O governo federal pode contribuir com o avanço das iniciativas de smart cities a partir de transferência de recursos para as cidades e com preparação do conhecimento através dos ministérios”, relata Pazotto.

Para ele, o novo governo ainda é uma incógnita nesse tema.

“A Cisco avalia trazer o programa Country Digital Acceleration (CDA) para o Brasil de acordo com a identificação de prioridades do novo governo em relação a aplicação de tecnologia de telecomunicações, data center, segurança e todo o portfólio da empresa”, relata.

O programa prevê investimentos da Cisco em projetos que são considerados alavancadores, mas a chegada da iniciativa vai depender do que a empresa ouvir de novos representantes.

“A expectativa é boa, em princípio. Acredito que haverá uma certa neutralidade mais amigável a empresas globais como a Cisco”, finaliza Pazotto.

* Júlia Merker participou do Cisco Live Latam 2018, no México, a convite da Cisco.