Rakuten reformula marketplace no Brasil. Foto: Shutterstock.

A Rakuten, multinacional japonesa de serviços online e e-commerce, anunciou seus resultados em 2015, apontando queda no lucro, o que fez a companhia decidir pelo fechamento e reformulação de operações internacionais, mudanças que passaram inclusive pela divisão brasileira da empresa.

O lucro líquido caiu 38% na comparação anual, para US$ 393 milhões, com a receita avançando 19%, ficando em US$ 6,3 bilhões. O balanço envolveu o write-down de US$ 340 milhões em ativos em mercados deficitários.

No Brasil, a empresa optou pela terminação do modelo atual de marketplace, divisão que parecia estar em aceleração no último ano. O foco deixa de ser no marketplace próprio para se tornar um provedor de serviços para e-commerce.

Segundo a assessoria da companhia, o Rakuten Shopping agora se chama Rakuten Performance Marketplace, mudando operações de back-office de maneira a proporcionar a integração dos sistemas Rakuten Nexus, Rakuten Genesis e Rakuten One, usando uma estrutura de SaaS para a oferta de produtos em marketplaces variados.

A mudança tira o foco da empresa de seu marketplace próprio, tornando o carro-chefe da companhia o fornecimento de serviços de suporte (logística, pagamento, cadastro de produtos) para varejistas online.

No final do ano passado, a empresa ensaiou essa mudança de estratégia para o segmento com o Genesis, plataforma grátis de desenvolvimento para e-commerce e marketplaces - tanto da Rakuten como os da concorrência.

O Genesis é uma manobra autônoma da filial brasileira da companhia em busca de uma ampliação da base de clientes, que contava até o momento com cerca de 1,2 mil lojas, um número pequeno em relação a rivais como Cnova, VTEX e B2W. Com o Performance Marketplace, a estratégia se estende para outros serviços da multinacional.

Para isso, a empresa manterá no país a Ikeda, fornecedora de serviços de e-commerce para varejistas online que foi adquirida pelos japoneses em 2011 por uma quantia não revelada.

As mudanças fazem parte de um reajuste em seus negócios prioritários, um plano chamado de "Visão 2020" pela companhia, envolvendo também a a depreciação da divisão de leitores de e-books (e-readers) Kobo e do site de comércio eletrônico PriceMinister, além de outros negócios.

Nos últimos anos, a Rakuten fez aquisições como a Kobo por US$ 315 milhões e o PriceMinister por US$ 200 milhões. A primeira foi depreciada para US$ 153 milhões e a segunda para US$ 69 milhões. Outros negócios foram depreciados para US$ 116 milhões.

Ao explicar as medidas, a empresa disse em um comunicado que a PriceMinister foi "afetada pelo ambiente competitivo do mercado de e-commerce francês", enquanto a redução da Kobo foi resultado da "ascensão mais lenta do que o esperado do mercado mundial e-books".