E se Ricardinho estivesse no plantel hoje? Foto: Reproção | Site oficial do Paraná Clube

O Paraná Clube anunciou o início de uma par­­ce­ria para se transformar em empresa e entrar para a bol­sa de valores.

De acordo com informações do blog Abrindo o Jogo, do jornalista Napoleão Almeida, a estreia acontece em abril, quando será feita a oferta inicial de ações da Atletas Bra­­sileiros S/A, organização fundada em 2010 por um grupo de investidores e que passa a ter o clube co­­mo acionista majoritário.

Com isso, todos os direitos econômicos dos atletas que o Tricolor da Vila possui se tornam capital da empresa. A ideia é expandir o negócio com escritórios na Ucrânia, Rússia, Portugal, Coreia do Sul, China e Argentina.

No blog, o atual diretor-presidente da holding, Ale­­xan­­dre Azambuja, revela que as ações não são discriminadas por jo­­gador. Todas são papéis da Atletas Brasileiros. No caso de um jogador ser dispensado ou sair do clube em fim de contrato, o Paraná fará a reposição com outro atleta ou pagando uma compensação financeira à empresa.

A grande vantagem é não sofrer pressão financeira para vender jogadores e lucrar vendendo ações, por exemplo. Por ter 66% das ações, o clube indicará seis dos nove membros do conselho de ad­­ministração, o diretor-presidente e vários dos diretores.

Atualmente, o Paraná está na série B do Campeonato Brasileiro e tem uma torcida estimada em 300 mil torcedores no estado, conforme a Pluri Consultoria. Em 23 anos, são sete títulos estaduais, o quarto melhor clube neste requisito, atrás de Coritiba, Atlético e Ferroviário.

No último balanço financeiro divulgado, referente a 2011, os direitos econômicos de atletas somavam R$ 380 mil. Já o patrimônio do clube é avaliado em R$ 124 milhões. O plantel atual tem 59 jogadores.

PRÁTICA COMUM FORA
O Paraná se considera pioneiro mundialmente ao utilizar este modelo - de apenas envolver direitos econômicos.

Mas no exterior é comum clubes entrarem na bolsa. Em 1993, o britânico Tottenham Hotspur foi o primeiro a negociar no mercado de valores mobiliários, na Bolsa de Valores de Londres.

No momento, são cerca de 30 agremiações participando. O Manchester United, com a subsidiária MU Finance, se capitalizou e aumentou mais de 100 vezes seu valor em uma década.

Conforme a Forbes, o clube inglês atingiu o valor de US$ 3 bilhões. Por outro lado, também é o líder de dívidas: € 895 milhões.

A reportagem ainda aponta que na América do Sul os principais exemplos são os chilenos Colo-Colo, Universidad de Chile e Universidad Católica. Esse último levantou US$ 25 milhões em 2009 e, na temporada seguinte, foi bicampeão nacional.

O histórico dos brasileiros, no entanto, não é positivo. Na década de 90, três clubes se aventuraram no mercado: Fluminense e o Vasco não conseguiram vender, e Bahia chegou a colocar papéis, mas não obteve bons resultados.

PROCURA-SE
Recentemente, a Folha de S. Paulo noticiou que a bolsa de valores, através de um projeto, está em busca de empresas de pequeno e médio porte fora do eixo Rio de Janeiro-São Paulo.

A estimativa é que existam no país 15 mil companhias com potencial para abrir o capital. Por isso, como estratégia para atraí-las, a BM&FBovespa e a Amcham vão realizar em várias regiões do país eventos para apresentar essa possibilidade do mercado financeiro.

Atualmente, a BM&FBovespa conta com 454 empresas.