Marcelo Lombardo. Foto: divulgação.

A Omie, especializada em software de gestão na nuvem para pequenas empresas, quer triplicar o número de franqueados, saltando dos atuais 27 para 80 até o final do ano.

O canal do Omie é formado por empreendedores que conhecem o segmento de contabilidade e tem experiência em implantação de software.

A estratégia é que os contadores ajudem a implantar o software da companhia em seus clientes, de olho na facilidade que representa ter um acesso automático às informações contábeis.

O produto controla processos financeiros, de CRM, vendas, serviços e exportação contábil, guarda de arquivos XMLs, além de emissão de boletos e NF-e. Os preços começam em R$ 189 mensais.

Criada por Marcelo Lombardo, idealizador do produto e CEO da empresa, a Omie entrou no mercado em 2012.

A estratégia de usar contadores como o canal de vendas começou a consolidar no ano seguinte, quando o software foi apresentado na Convenção Bianual do Conselho Regional de Contabilidade. Logo depois, recebeu um aporte não revelado do Astella Investimentos.

Lombardo, no entanto, não é um marinheiro de primeira viagem no assunto sistemas de gestão: nos anos 90, criou a NewAge Software, vendida para a Toutatis Global em 2013.

“Os contadores são os maiores interessados em organizar os seus clientes. O nosso franqueado trabalha a carteira do contador, gerando fidelização de seus clientes e ainda uma nova fonte de renda”, esclarece Lombardo.

De acordo com o empresário, o produto é único software com o modelo Kan Ban, que utiliza as funções de “arrastar” e “soltar” para diversas tarefas, concentrando todas as ações em uma só tela. A promessa para os franqueados é de começar a ter lucro em 10 meses.

A Omie não abre a base de clientes ou o faturamento (a meta para este ano é quintuplicar a cifra), mas, pelo menos ao que indicam os anúncios de emprego, a empresa está crescendo rápido.

A empresa anunciou recentemente nada menos que 350 vagas, metade delas para sua própria operação em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte e a metade para o ecossistema de franqueados.

As oportunidades são para profissionais para as áreas comercial, de atendimento, suporte, treinamento, pós-venda e desenvolvimento de software. A empresa também está buscando constituir um ecossistema, com a criação de uma loja de aplicativos integrados ao seu software.

Em termos de mercado alvo e estratégia comercial, a Omie tem seu concorrente mais poderoso na ContaAzul, de Joinville. Ou vice versa: a ContaAzul também não publica dados de faturamento, o que faz difícil comparar as duas empresas.

A ContaAzul afirma que 400 mil empresas já usaram seu software, cifra que inclui companhias que fizeram o trial gratuito e assinantes em todas as modalidades. Já a Omie fala em 125 mil clientes.

A ContaAzul anunciou no ano passado uma estratégia similar a da Omie, com a diferença que a companhia quer trabalhar diretamente com os escritórios de contabilidade, sem a intermediação dos franqueados.

O novo modelo de negócio começou a ser trabalhado no final do ano passado, por meio de um beta com alguns escritórios. 

A companhia mapeou os 16 sistemas de gestão de escritórios de contabilidade mais usados no país e criou uma integração com o seu sistema de gestão oferecido gratuitamente para os contadores para 13 deles.

Fundada em 2011, a ContaAzul foi a primeira startup brasileira selecionada pela 500Startups, um dos principais programas de aceleração de negócios no Vale do Silício. Em fevereiro de 2015, a empresa recebeu um aporte na faixa dos R$ 20 milhões pela Tiger Global.

Os novos players de software de gestão na nuvem estão vendo que não é fácil montar um negócio de escala com base em assinaturas mensais baixas para empresas de pequenos porte.

A busca dos contadores é uma maneira de tentar incrementar a fidelidade desse público, notoriamente baixa.

Se a estratégia de Omie e ContaAzul vai dar certo, no entanto, depende do compromisso com a nova abordagem por parte dos contadores, que não tem na sua atividade principal a venda de software.

De acordo com dados do Conselho Nacional de Contabilidade, existem no Brasil, só no Brasil, existem 491 mil profissionais registrados e 82 mil escritórios ativos.

Nos últimos cinco anos, houve aproximadamente 170 mil novos registros de profissionais da Contabilidade.

Do total de contadores e técnicos em contabilidade registrados nos 27 Conselhos Regionais de Contabilidade (CRCs), cerca de 135 mil estão na faixa etária de até 35 anos, em tese, profissionais mais abertos ao conceito de software na nuvem.