Mário Luiz. Foto: divulgação.

A Prime Systems, empresa do grupo mineiro Seculus especializada no desenvolvimento de soluções de mobilidade, acaba de lançar uma plataforma de desenvolvimento e um marketplace para apps, o PrimeBuilder Store.

Com a novidade, a companhia está abrindo para o mercado em geral o uso do PrimeBuilder, a plataforma que a empresa usa para criar e customizar aplicativos com base em regras de negócio e funcionalidades, sem uso de código.

O PrimeBuilder já suporta 55 mil usuários móveis corporativos no Brasil, em mais de 250 clientes da Prime. Em alguns deles, analistas de negócio já usam a ferramenta para acrescentar funcionalidades aos seus apps.

De acordo com Mário Luiz, COO da Prime, esse fato inspirou a empresa a criar um negócio de escala com base em usuários com conhecimentos de nichos de mercado capazes de conceber aplicativos móveis, mas sem capacidade de executar os conceitos tecnicamente.

“É uma proposta muito interessante para um desenvolvedor que está buscando uma segunda fonte de receita ou um analista de negócio querendo montar uma empresa”, afirma Luiz.

As maiores implantações de mobilidade com tecnologia da Prime chegam aos 4 mil usuários e o cliente típico tem em torno de 50. Com o PrimeBuilder Store, a empresa espera que sua tecnologia seja usada para projetos menores, com entre cinco e 10 usuários.

No PrimeBuilder Store os desenvolvedores podem criar e publicar seus aplicativos. Os apps são publicados em um “container” da Prime nos aparelhos dos clientes finais.

A empresa se encarrega da compatibilidade com os diferentes modelos e sistemas operacionais, além de ir agregando na ferramenta novas funcionalidades para os desenvolvedores.

Em troca, a Prime cobra uma porcentagem não revelada da mensalidade que os seus clientes cobram dos usuários finais. Luiz acredita que até 2019 essa nova linha de negócios possa responder por metade do faturamento da Prime, que no ano passado foi de R$ 15 milhões (a meta é chegar a R$ 150 milhões até 2020).

Com o PrimeBuilder Store, já operando em beta com um número não revelado de desenvolvedores, a Prime é mais uma empresa de desenvolvimento de soluções de mobilidade que visa se transformar num provedor de tecnologia para ampliar sua escala.

A empresa está de olho em mercados fora do país. A empresa deve investir R$ 5 milhões neste ano para iniciar seu processo de internacionalização, com foco no mercado americano onde espera cadastrar 10 canais.

É uma evolução natural para players como a Prime, que estão no negócio de mobilidade desde os primórdios da tendência, no começo dos anos 2000, mas nos últimos tempos tem sido pressionados pela oferta cada vez mais completa de mobilidade pelos grandes players de software empresarial.

A gaúcha Trevisan, uma das concorrentes da Prime, começou a fazer a movimentação em 2011, ao lançar a Umov.me, outra plataforma de desenvolvimento de apps, que acabou se tornando o foco principal da empresa em alguns anos.

Tanto a Trevisan quando a Prime são empresas de destaque no cenário nacional de tecnologia, tendo sido escolhidas em diferentes anos como Cool Vendores do Gartner.

Ambas captaram a atenção de investidores. A uMov.me vendeu 20% da companhia por R$ 3,2 milhões para o Totvs Ventures em 2013, para recomprar as ações de volta dois anos depois pela metade do preço. A Prime levantou R$ 2,5 milhões junto ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).

Outra empresa com plataforma de desenvolvimento é a TotalCross, fundada no Rio de Janeiro em 2002. A empresa, que afirma ter soluções em 45 mil devices, teve 80% do seu controle adquirido em 2014 pela Softsite, empresa de soluções de mobilidade sediada em São Paulo.

A Prime Systems, que tem 80 funcionários, é proveniente do Grupo Seculus, conglomerados empresarial composto por dez organizações controladas por uma holding de capital privado.

O grupo atua em segmentos como financeiro, imobiliário, industrial, tecnologia da informação e comércio de relógios.