Luis Cesar Verdi. Foto: divulgação

O presidente da SAP Brasil, Luis Cesar Verdi, declarou em entrevista à CRN acreditar que a empresa já seja maior do que a Totvs em participação no mercado nacional de ERP.

Questionado na entrevista sobre números de um estudo recente da FGV segundo os quais a Totvs tem 38% de participação de mercado, à frente da SAP, que tem 28%, e Oracle, com 16%, o executivo disparou: “Acho que já somos maiores que a Totvs no Brasil”.

A entrevista foi feita durante o Sapphire Now 2012, que ocorre em Orlando da terça-feira, 14, até a quarta, 16.

Conforme Verdi, o Brasil tem sido motor dos negócios da companhia: no primeiro trimestre deste ano, a receita de software cresceu 32% por aqui, enquanto na América Latina a subida foi de 22%.

Ainda segundo ele, dentro do cenário favorável, as pequenas e médias empresas despontam com ainda mais destaque: no 1T12, a receita da subsidiária brasileira no segmento cresceu 112%, ante índice latino-americano de 53%.

Para o ano, Verdi destacou esperar da operação brasileira uma expansão à taxa acima da global, embora não tenha aberto números.

Os números já abertos do ano passado, entretanto, desenham um quadro um tanto adverso: em 2011, a receita da SAP Brasil foi de € 444,2 milhões, alta de 9% sobre o ano anterior, sendo que o crescimento no quarto trimestre ficou em 2%.

Resultados abaixo dos obtidos na operação global, que somou vendas de software de € 3,97 bilhões, 22% a mais que em 2010, e faturamento de € 1,74 bilhão só no quarto trimestre, crescimento anual de 16%.

A Totvs, por sua vez, fechou 2011 com faturamento de R$ 1,27 bilhão, incremento de 13,3% frente a 2010, sendo R$ 335,06 milhões só no quarto trimestre, com a mesma alta de 13,3%.

Segundo o estudo Latin America Semiannual ERM Tracker, do IDC, com os dados do primeiro semestre de 2011, a Totvs aumentou sua participação total no mercado de ERM do Brasil para 50% (+ 5,3% sobre o mesmo período de 2010).

Quanto às PMEs, a SAP divulgou no balanço de 2011 que respondem por 70% de sua carteira de clientes no Brasil.

Vale lembrar que, no caso da SAP, pequenas são aquelas com receitas anuais abaixo de US$ 100 milhões e médias, não mais de US$ 300 milhões.

Já a Totvs encerrou o ano passado com 71,9% de participação entre o SMB brasileiro, conforme dados do IDC, uma alta de 4,1% sobre a fatia registrada em 2010

Para a SAP, as grandes já são, em sua maioria, clientes no país, segundo garantiu Verdi à CRN, destacando que se incluem nisso as companhias nacionais que, nos últimos anos, têm virado multinacionais, impulsionadas pelo bom momento econômico do Brasil.

Para rebater, a Totvs, que ao todo tem mais de 24,2 mil clientes ativos em 23 países, se prepara para o que o presidente da companhia, Laércio Cosentino, chama de “quinta fase do negócio”: transformar a marca em referência global.

E para brigar com rivais como não só SAP, mas também Oracle e Microsoft, o plano de Cosentino é atuar em duas vias: a partir das companhias brasileiras atendidas, em suas operações exteriores, e nas empresas chegadas ao país.

“Vamos receber as empresas quando puserem o pé no país, nos tornarmos um parceiro global de TI de todas”, declarou o presidente em entrevista ao Baguete.

Além disso, investimento em tendências como cloud computing também está na mira, com ações como a recente ampliação do data center da companhia em São Paulo, que levou R$ 20 milhões para aumentar em mais de cinco vezes o faturamento em soluções baseadas na nuvem.

Crescimento que a SAP também tem buscado, em uma briga com a Oracle que vem sendo disputada compra a compra: para falar das mais recentes, Oracle foi de Taleo (software para gestão de pessoal em cloud) e RightNow (Customer Service Cloud), e SAP, de SuccessFactors (gestão de talentos em nuvem).

E nas compras, a Totvs também não pretende ficar atrás: a empresa tem uma história de crescimento inorgânico que já envolveu 45 operações de M&A ao longo dos anos, com destaque para aquisições como as da Microsiga,

Logocenter e  RM, em 2005 e 2006; Datasul, em 2008; TotalBanco, entre 2009 e 2011, e Gens, franquia Datasul arrematada também no ano passado.

Agora, Cosentino garatne que as compras vão continuar, mirando fabricantes de software de nicho como varejo, saúde, educação e transportes, além de aplicações em nuvem, é claro.