Paulo Bernardo está de olho. Foto: divulgação.

O BNDES, juntamente com e outros sócios da Oi, estão avaliando a necessiade de rediscutir os termos da fusão da operadora brasileira com sua controladora Portugal Telecom. O motivo é um possível rombo financeiro na telecom europeia, de aproximadamente € 99 milhões.

Segundo informações da Reuters, caso a empresa europeia tome um calote no investimento financeiro, vindo de uma transação não informada aos acionistas brasileiros, o banco estatal deve agir. Quem afirmou isso à agência foi o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

"Tem uma operação que vence amanhã. Se o dinheiro voltar, tudo certo, se não voltar, evidente que o BNDES e os acionistas vão querer discutir a operação de fusão e a composição acionária, porque isso com certeza esvaziou um dos sócios de forma expressiva", disse o ministro.

O empréstimo não divulgado, no valor de € 897 milhões, foi feito pela Portugal Telecom à holding Rioforte, que pertence ao grupo Espírito Santo, controladora do banco BES, maior acionista individual da companhia europeia.

A maior parte do montante, que é de € 847 milhões, deve ser paga até a próxima terça-feira, 22.

Mesmo com a complicação financeira, entretanto, Bernardo garante que a fusão das duas operadoras, que cria uma companhia com cerca de 100 milhões de clientes, não está arriscada. Segundo ele, o governo está acompanhando de perto a situação.

"Pedimos para acompanhar e ter informações do que está sendo feito e as consequências. Aparentemente, foi feita uma operação que esvaziou o caixa da Portugal Telecom em quase 1 bilhão de euros", disse.

Anunciada em outubro de 2013 e com conclusão prevista para este ano, a fusão entre as duas operadoras resultaria na CorpCo, multinacional com cerca de 100 milhões de clientes e faturamento de R$ 5,5 bilhões. A Oi será uma subsidiária da CorpCo, que vai incorporar a Portugal Telecom.