Márcio Pinto, gerente de marketing da Autodesk no Brasil. Foto: Divulgação.

A mudança do modelo de vendas da Autodesk de licenças para a assinatura mensal tem aumentando a comercialização dos softwares via e-commerce. A empresa oferece ferramentas para os segmentos de arquitetura, engenharia, manufatura e entretenimento.

O Brasil foi o primeiro país a aderir ao modelo 100% por assinatura entre os mercados da Autodesk. Por aqui, o encerramento da venda de licenças de softwares da empresa ocorreu em fevereiro, antes do prazo global de julho deste ano.

A opção de assinaturas influenciou o crescimento das vendas da Autodesk pelo e-commerce oficial da marca, operado pela Digital River. A empresa americana de soluções de e-commerce, pagamentos e marketing também é responsável por lojas virtuais de companhias como Adobe, Logitech, HTC, Lenovo e Microsoft.

No Brasil, a compra online de softwares da Autodesk cresceu 80% do primeiro para o segundo trimestre de 2016.

Mesmo assim, a venda dos sistemas pelo e-commerce ainda representa uma parcela muito pequena dos negócios da Autodesk, que tem todos os contratos fechados de forma indireta. Hoje, a empresa tem 3 distribuidores no Brasil e cerca de 50 revendas.

“A estimativa global é de que as vendas online representem cerca de 20% do volume de negócios e 5% do valor recebido. No entanto, neste grupo há mercados em que o e-commerce está mais maduro, especialmente os Estados Unidos. No Brasil a representatividade da loja virtual não está neste patamar”, relata Márcio Pinto, gerente de marketing da Autodesk no Brasil.

Mesmo assim, a estratégia da empresa de apresentar a compra via assinatura como acessível tem atraído novos clientes.

“Uma ação de marketing divulgou a possibilidade de utilizar o Autocad (em sua versão LT, mais simples), por R$ 4 reais por dia. Com isso, o número de acessos ao e-commerce cresceu 7 vezes. Isso mostra que as pessoas tiveram a percepção de que a ferramenta é acessível”, detalha.

Com o fim das licenças, as compras via e-commerce devem crescer mais ao longo deste ano.

“A assinatura está permitindo que a empresa conquiste um novo público, crescendo nos segmentos de profissionais autônomos e pequenas empresas, que não conseguiam alcançar o valor de entrada no modelo perpétuo”, explica Pinto.

Este novo perfil de cliente é o que busca com mais frequência a loja virtual, por ter compras de valores menores e maior hábito em trabalhar de forma independente, sem a busca de representantes.

“Mesmo assim, os canais também tem relatado o aumento nas vendas do Autocad LT. Muitos clientes procuram a e-store para conferir os valores dos softwares, mas depois recorrem a um parceiro”, detalha o gerente de marketing.

Em novembro do ano passado, a Autodesk disponibilizou na loja virtual toda a linha de produtos disponível no seu portfólio. 

No início do comércio eletrônico, há quase três anos, a empresa oferecia apenas os sistemas mais baratos, como AutoCad LT, Inventor LT e Schetckbook Pro.

Depois, foram adicionados os produtos AutoCAD, Autodesk Maya e Autodesk 3D Max. Já no final de 2015 o portal passou a ofertar as suítes.

A Autodesk fechou o ano fiscal de 2016, encerrado no dia 31 de janeiro, com uma receita de US$ 2,5 bilhões. O valor é o mesmo que o conquistado no ano fiscal anterior, que apresentou um crescimento de 18% em relação a 2014.

O resultado não foi uma surpresa, pois a transição para o Autodesk Subscription faz com que a receita caia em um primeiro momento.

Com a mudança, o total de assinaturas das ferramentas da Autodesk aumentou em cerca de 345 mil no último ano fiscal, para 2,58 milhões. Ao longo de todo o último ano fiscal, os novos modelos de assinatura cresceram 94%, representando 60% de todas as adições de assinantes.

* Júlia Merker viajou a São Paulo para o Autodesk University a convite da Autodesk.