CONTRAMÃO

Fapesc deve investir 4x mais do que o previsto

15/10/2021 14:09

Santa Catarina amplia recursos, enquanto o governo federal faz grande corte.

Fabio Zabot Holthausen.

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A Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina (Fapesc) espera executar projetos no valor total de R$ 100 milhões até o final do ano, uma cifra que, caso alcançada, será quatro vezes maior do que o previsto no início do ano.

De acordo com o site SC Inova, já foram executados R$ 73 milhões em projetos até o momento. 

A diferença entre o previsto e o executado se deve a parcerias com outras secretarias de estado e parcerias com entidades (como a Fiesc e o Sebrae) e universidades, afirma o presidente da Fapesc, Fabio Zabot Holthausen.

Segundo Holthausen disse ao site catarinense, o valor de R$ 100 milhões será o maior já investido pela Fapesc no estado. 

O número de editais deve passar dos 50, um aumento significativo frente aos 34 de 2019 e ainda maior na comparação com a média histórica de oito a nove.

“O objetivo é pulverizar entre o ecossistema estes recursos, por isso criamos chamadas para incubadoras, universidades, centros de inovação, em várias regiões, do Oeste ao Norte e Sul do estado”, explica Holthausen.

Parte dos recursos, inclusive, tem destino no setor de TI, onde a Fapesc tem um projeto em conjunto de R$ 4 milhões com a Acate para formar desenvolvedores de software.

Os profissionais serão formados em cursos de 600 horas oferecidos em universidades comunitárias.

O cenário em Santa Catarina é ainda mais notável tendo em conta o panorama nacional no assunto recursos públicos para ciência e tecnologia.

Ainda na semana passada, o Ministério da Economia mudou a destinação de R$ 600 milhões em recursos previstos para o Ministério da Ciência e Tecnologia, um corte de 90% do total.

Com a medida, o governo reduziu drasticamente o financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, um órgão com atribuições similares às da Fapesc em nível nacional.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, disse publicamente em algumas ocasiões que não sabia da previsão de corte e que foi pego de surpresa.

Em algumas entrevistas, Pontes disse que chegou a considerar um pedido de demissão uma vez que o corte foi aplicado "sem ouvir a comunidade científica".

Para o presidente da SBPC, Renato Janine Ribeiro, o corte no orçamento do CNPq  “inviabiliza a pesquisa no Brasil, com resultados calamitosos para nossa economia e induzindo grande número de jovens cientistas, altamente qualificados a elevado custo para o país, a emigrar”.

Desde então, o ministro mudou a linha e disse durante audiência pública na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados que “pediu ajuda” ao presidente Jair Bolsonaro para a “recomposição dos recursos” no orçamento da pasta.

O montante de R$ 600 milhões já foi destinado a outras áreas do governo, então não está muito claro de onde pode sair a tal recomposição.

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