Alexandre Baule, CIO da Embraer. Foto: Baguete.

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A Embraer decidiu apostar suas fichas na tendência de deixar os funcionários decidirem com que dispositivo querem trabalhar, criando uma política de uso que hoje envolve 23 mil pessoas, entre funcionários, empresas terceiras e clientes VIPs.

O projeto de BYOD da fabricante brasileira de aeronaves, com faturamento de R$ 6,1 bilhões em 2012, começou em 2011 e entrou nesse ano nos seus últimos desdobramentos.

“O grande fator foi a pressão dos executivos de alto escalão. Nós temos ainda o fator extra dos clientes”, explicou o CIO da empresa, Alexandre Baule, que esteve apresentando o case em Porto Alegre durante a BITS, feira que encerra nesta quinta-feira, 16.

Dizer para um cliente que gastou US$ 60 milhões em um jatinho particular que ele não pode acessar a Internet em uma instalação da Embraer por meio da rede corporativa, não é a melhor ideia.

Por outro lado, um projeto de BYOD em uma empresa como a Embraer, que circula em sua rede propriedade intelectual valiosa e gerencia 18 mil funcionários em todo mundo - 90% deles no Brasil, sob a regulamentação da CLT - é uma tarefa complexa.

O projeto começou com uma discussão conjunta entre TI, Jurídico e RH focando em como permitir que os funcionários e terceiros trouxessem suas máquinas para a Embraer e pudessem a acessar a rede corporativa de casa sem abrir a porta para futuras ações trabalhistas alegando que a empresa não fornecia o equipamento necessário, cobrando horas extras ou terceiros demandando serem considerados funcionários da empresa.

“Esse tipo de processo não surge no dia seguinte da implementação de uma nova política, é preciso fazer um planejamento futuro”, explica Baule.

Do ponto de vista legal, a prevenção foi feita por meio de um termo de adesão ao BYOD que os interessados devem assinar. A parte técnica envolveu a criação de vários níveis de perfis de acesso com direitos diferentes sobre a rede.

Os funcionários acessam uma máquina virtual baseada em tecnologia da Citrix, o que elimina o problema do suporte a uma gama enorme de aparelhos.

Podem acessar a rede devices rodando uma série de sistemas operacionais, incluindo Sistemas operacionais Windows, Mac, Cromebook, Windows Mobile, Android, Java 10.1, Unix e Linux.

“Temos funcionários na Índia e na China trazendo para a empresa aparelhos de fabricantes do qual eu nunca ouvi falar”, confessa Baule.