ENERGIA

Smart grid: o Brasil sabe aproveitar?

16/05/2013 15:03

O Brasil tem hoje ao redor de 70 milhões de consumidores de energia elétrica, com uso per capita de 2.201 kilowatt/hora por ano, demanda que vai aumentar 43% até 2020. Como atender a este crescimento? A resposta está no smart grid.

Gilson Paulillo. Foto: Baguete.

Tamanho da fonte: -A+A

O Brasil tem hoje ao redor de 70 milhões de consumidores de energia elétrica, com cerca de 115 gigawatts de capacidade instalados e utilização per capita de 2.201 kilowatt/hora por ano, demanda que vai aumentar 43% até 2020.

Como atender a este crescimento? A resposta está na TI, telecomunicações e automação resumidas no conceito de smart grid.

A afirmação é do Gilson Paulillo, consultor executivo do Instituto de Pesquisas Eldorado, instituição com sede em Campinas e unidades em Porto Alegre e Brasília especializada em estudos focados na área de tecnologia.

“Smart grid é um mundo de oportunidades para as TICs e as empresas de energia. É preciso saber aproveitar este campo tanto para fazer dinheiro quanto para estimular uma distribuição e consumo mais eficientes deste recurso”, afirma Paulillo.

Ele afirma que para atender ao crescimento de 43% na demanda por energia nos próximos sete anos, o Brasil terá de aumentar em 142% seus investimentos na área, o que, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), está projetado para chegar a R$ 951 bilhões só de parte do governo.

Deste quase trilhão investido, que faz parte do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2019), as áreas que mais serão beneficiadas são a de petróleo e gás natural, com 70% dos recursos, enquanto a geração e transmissão de energia elétrica devem ficar com fatia de 22,5%.

Ou seja: o setor precisará dar impulso com as próprias pernas, e nisso o smart grid pode ser o trampolim, segundo Paulillo.

“A China investe em energia o equivalente a um Brasil por ano. Só que eles investem em carvão mineral e são o maior responsável do mundo pela geração de gases de efeito estufa. Nós temos condições de fazer diferente”, destacou o palestrante.

Como “fazer diferente”, ele ressalta que o smart grid muda a estrutura tradicional de fornecimento de energia elétrica, na qual o consumidor é um agente passivo, para um sistema em que infraestrutura, TI, Telecom e automação andam juntas para fazer dele um ativo, que interage com tecnologias de controle de seu consumo e alimenta a inteligência das concessionárias com dados.

“Com investimento em smart grid podemos ter análise de contingência e simulações em tempo real, trabalhar a geração distribuída e contar com proteção digital, monitoramento de equipamentos e gestão de ativos, de demanda e do mercado. São muitos os ganhos para as concessionários”, avalia o especialista.

Conselhos que vêm sendo aproveitados timidamente no Brasil – não são muitas as companhias a divulgarem iniciativas na área.

A Elster, multinacional que atua em gás, energia, água e sistemas implantados, com 3,4 milhões de pontos de smart grid instalados em todo o mundo e centro de desenvolvimento no Brasil, onde atende a 64 concessionárias de energia elétrica, é um exemplo por aqui.

“Temos projetos em parceria com a Neoenergia, com 3,5 mil pontos de terminais de medição inteligentes, e com a Light, somando 120 mil pontos”, comenta o diretor técnico da Elster, Mariélio Silva.

Outra que investe em smart grid no país é a AES Eletropaulo, que só para um projeto desta área destinou R$ 72 milhões para instalação de 60 mil pontos de medição inteligente de consumo de energia.

Também é exemplo a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), que atende a mais de 3,2 milhões de clientes em 184 cidades e implantou uma rede óptica Metro Ethernet, com base na tecnologia Ethernet Ring da RAD Data Communications, que habilitou a empresa a usar medidores eletrônicos de energia, a serem instalados dentro de nove meses.

No Sul, a paranaense Copel anunciou em 2010 um projeto para tornar, até 2014, a capital Curitiba a primeira capital brasileira a ter um sistema de distribuição de energia elétrica totalmente automatizado.

Para tanto, a companhia se baseia também em recursos de conectividade da Copel Telecomunicações para dar sustentação às soluções de smart grid e de acesso à internet.

Ao todo, o projeto paranaense estimava, quando do anúncio, investimento de R$ 350 milhões até 2014.

No Rio Grande do Sul, a realidade é outra.

A CEEE, companhia que atende à Grande Porto Alegre, Sul, Litoral e região da Campanha do estado, abrangendo 72 municípios, o equivalente a 34% do mercado consumidor gaúcho, não tem projetos correntes divulgados na área de smart grid.

Conforme Sérgio Rahde, da área de Eficiência Energética da CEEE, o que há em andamento são iniciativas como o Programa Nacional de Iluminação Pública Eficiente, em que a companhia atua em parceria com a Eletrobrás, e o Programa de Eficiência Energética, com ações voltadas ao consumo responsável em áreas como iluminação, climatização, aquecimento solar, entre outras.

Outro projeto é um trabalho levado a cabo em parceria com a Ceasa/Senai para produção de energia a partir da queima de resíduos gerados pela central de abastecimento.

A iniciativa está em fase de assinatura de contrato, e a Ceasa entrará com a doação de um terreno onde será construída a planta de geração de energia, na forma de Biogás, e um triturador.

Já o Senai vai atuar no desenvolvimento de um tipo de bactéria apropriada ao clima gaúcho para ampliar a capacidade de produção de gás a partir do lixo.

Este projeto incorpora o conceito de geração distribuída, incluso na biblioteca do smart grid, e, nos dias atuais, é o mais próximo que a CEEE divulga sobre o tema.

Já no que tange a investimento em infraestrutura para dar conta da demanda crescente nos próximos anos, a CEEE investiu R$ 147 milhões em redes de distribuição, linhas e subestações só em 2012.

Além disso, a empresa já tem contratadas obras no valor de R$ 83 milhões, em subestações e linhas de subtransmissão, que totalizarão cerca de R$ 230 milhões de recursos destinados à expansão do sistema elétrico para a Copa do Mundo.

Veja também

1º DA AL
Siemens abre centro de Smart Grid no PR

A Siemens vai instalar em Curitiba seu primeiro centro de pesquisa e desenvolvimento voltado às soluções Smart Grid na América Latina.

O empreendimento, anunciado oficialmente nesta quinta-feira, 19, vai ocupar dois prédios do Parque Tecnológico da PUC-PR e é parte do pacote de US$ 600 milhões em investimentos anunciados pela companhia para expansão da capacidade produtiva no país.

AES Eletropaulo: 2 mil leitores smart grid

A AES Eletropaulo inicia em março a operação do projeto piloto de smart grid no bairro do Ipiranga, em São Paulo.

Segundo divulgado pela distribuidora, os medidores eletrônicos serão integrados ao sistema de automação e operação da concessionária para analisar, inicialmente,  dados de dois mil clientes.

Light investe R$ 35 mi em smart grid

A Light acaba de assinar um contrato de investimentos da ordem de R$ 35 milhões em projetos de P&D em smart grid com a CAS Tecnologia, CPqD e Lactec.

O contrato prevê a criação de novos medidores de energia com certificação digital, além da expansão do portfólio de serviços prestados aos clientes, como a criação de novos canais de interação.

Light investe R$ 35 em smart grid

A Light, empresa que trabalha no segmento de eletricidade, investirá R$ 35 milhões em smart grid, tecnologia que lida com as variações do preço da energia.

A iniciativa será oficializada pelo presidente da empresa, Jerson Kelman, nesta sexta, 1, a partir das 15h, na Sala Canadense da sede (Av. Marechal Floriano,168 – Rio de Janeiro).

Aptel promove seminário de Smart Grid

A Aptel - Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações promove entre a quarta-feira, 12, e a quinta-feira, 13, a segunda edição do seminário internacional de Smart Grid.