Tadeu Almeida, fundador da Repassa. Foto: divulgação.

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A Lojas Renner acaba de comprar a Repassa, uma plataforma digital de venda de roupas, calçados e acessórios usados.

Segundo o site Brazil Journal, o valor da transação não foi revelado pela companhia, mas o CEO Fabio Faccio disse que a aquisição representa “um valor muito pequeno comparado com o volume do follow-on”, que levantou R$ 4 bilhões em abril deste ano, e será paga em dinheiro. 

Fundada em 2015 pelo publicitário Tadeu Almeida, a Repassa é focada no público feminino das classes B e C+ e atua no chamado modelo gerenciado, cuidando da jornada de ponta a ponta.

Quando um vendedor se cadastra na plataforma, a startup manda uma sacola para sua casa, na qual o vendedor coloca os produtos que quer vender. Em seguida, a empresa faz uma curadoria e, se o item é vendável, ela tira a foto, sobe na plataforma e cuida de todo o processo.

Com mais de 100 mil peças à venda, hoje os produtos mais vendidos na plataforma são justamente da Renner.

A Repassa compete com players como a Enjoei, que nasceu no modelo peer-to-peer e, recentemente, adicionou a opção de fazer o gerenciamento completo. A concorrente tem um foco mais amplo, incluindo artigos de luxo e outros produtos além de roupas.

Com a venda, o fundador e principais executivos da Repassa continuarão na operação e a Renner entra num segmento que já movimenta R$ 7 bilhões de volume bruto de mercadoria (GMV, na sigla em inglês) por ano no Brasil, cresce a um ritmo 25 vezes maior que o mercado tradicional de roupas e já produziu um IPO: o da Enjoei.

A estimativa da varejista é que esse mercado chegue a R$ 31 bilhões em 2025.

Agora, a Renner quer usar sua escala para potencializar as vendas da plataforma, e uma das possíveis sinergias seria permitir que o cliente deixe as roupas que quer vender em qualquer loja da rede.

“Essa é uma primeira aquisição e estamos usando uma parte menor do recurso captado. Vamos continuar usando [os recursos] para o desenvolvimento do nosso ecossistema e devemos ter mais aquisições em breve”, adianta o CEO da Renner.

A Lojas Renner segurou bem o ano de 2020, com um lucro de R$ 1,096 bilhão, uma levíssima alta de 0,9% frente ao ano anterior, o que é de se destacar tendo em conta que muitas lojas permaneceram meses fechadas.

A equação fechou pelo crescimento das vendas on-line, que já haviam crescido 52% em 2019 e estourou em meses como julho e agosto, quando houve avanço de 239% e de 206%, respectivamente. 

A empresa conta ainda com 13 mil afiliados, divulgando os produtos nas suas redes sociais em troca de uma comissão de 7%.

Outra grande varejista que está apostando em aquisições é a Magalu, que comprou 21 empresas nos últimos 18 meses. Somente neste ano, já entraram no portfólio KaBuM!, Juni, Plus Delivery, ToNoLucro, GrandChef, Bit55, Jovem Nerd, SmartHint, VipCommerce e Steal The Look.