A UFRJ conta com a realidade virtual para combater o medo de avião. Foto: Pexels.

O Instituto de Psiquiatria da UFRJ (IPUB) conta com a realidade virtual para oferecer, gratuitamente, um serviço batizado de “Livre para Voar”. O objetivo é auxiliar pessoas que tem medo de avião.

Para o projeto, o Departamento de Informática do Centro Técnico Científico da PUC-Rio (CTC/PUC-Rio) desenvolveu um sistema de realidade virtual que simula as diversas etapas pelas quais os passageiros passam ao chegarem no aeroporto e também durante uma viagem de avião. 

Dados da Associação Internacional de Empresas de Transporte Aéreo indicam que cerca de 113 mil brasileiros viajam de avião por ano. No entanto, o medo de usar o avião como meio de transporte é uma realidade para cerca de 10% a 40% da população mundial, segundo o laboratório de estresse e sociedade na Universidade de Reims (França).

A iniciativa do serviço faz parte do estudo “Avaliação da eficácia de um protocolo de terapia cognitivo-comportamental e realidade virtual para o medo de avião”, de Helga Rodrigues, psicóloga cognitivo-comportamental e doutoranda do IPUB/UFRJ. 

Com oito sessões, ou duração média de dois meses, o tratamento é feito com a utilização do Oculus Rift. O processo ao paciente “passar” por diversas fases que abordam vários níveis de interação, desde uma ambientação com lugares neutros, até a experiência de estar dentro de um avião, da decolagem e de uma viagem com e sem turbulência. 

Todo o sistema de realidade virtual criado pelo CTC/PUC-Rio foi feito sob a orientação do IPUB, seguindo o protocolo de tratamento. 

“Nosso trabalho foi entender como a tecnologia poderia ser aplicada no tratamento do medo de voar. Emprestaremos os óculos, o computador e a aplicação desenvolvida em realidade virtual”, explica o Alberto Raposo, coordenador do projeto no CTC/PUC-Rio.

O projeto contou com pesquisas dos alunos de Mestrado em Informática Leonardo Nascimento e Vinícius de Lima Costa, além da colaboração de Rodrigo Pinheiro, analista do Instituto Tecgraf/PUC-Rio.

 “Além da realidade virtual, quem participar de todas as sessões passará por um processo de psicoeducação para se livrar de qualquer ideia pré-estabelecida que o impeça de voar”, complementa Helga Rodrigues, esclarecendo que um questionário prévio de avaliação será aplicado a cada paciente para que seja definido seu grau de ansiedade, depressão e fobia.