TESOURA

RBS contratou a Galeazzi

16/09/2014 14:44

Segundo revela matéria do jornal Já, mais cortes vem por aí.

Mais cortes estão previstos na RBS. Foto: Jamesbin / ShutterStock

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Cláudio Galeazzi, um dos sócios da Galeazzi & Associados, consultoria conhecida por implementar estratégias agressivas de cortes de custos nos seus clientes, é o nome por trás das recentes mudanças na RBS, que incluíram a demissão de 130 profissionais em agosto.

A revelação é do jornal Já de Porto Alegre, que publicou uma extensa (e, por muitas vezes, meio melodramática) matéria sobre o assunto na sexta-feira, 12.

A principal revelação da matéria é que os cortes implementados por Galeazzi ainda não terminaram, devendo serem seguidos por uma segunda onda com mais 120 depois das eleições de outubro, que representam um pico de demanda para a organização. O contrato com Galeazzi vai até 2015.

Tendo em conta o histórico de Galeazzi, a projeção é factível. Em 2008, a Época Negócios estimou em 20 mil demissões o saldo de  150 projetos de consultoria da empresa em clientes como  Pão de Açúcar, Vulcabrás/Azaleia e Lojas Americanas,  entre outros. 

Galeazzi, no entanto, não tem experiência no negócio editorial e trouxe para Porto Alegre para comandar as operações Telma Goulart.

Telma esteve nos últimos dois anos trabalhando para a Rede Bom Dia de Comunicações, dona do jornal Diário de S. Paulo, recentemente vendido pelo Grupo Traffic para a Cereja Comunicação Digital.

A profissional é experiente no meio, tendo feito carreira no Grupo Folha UOL, onde foi gerente de Análise de Mercado.

Segundo a matéria do Já, assinada por Luiz Cláudio Cunha, que foi repórter da Zero Hora nos anos 70 e editor-chefe da sucursal da RBS em Brasília nos anos 90, as medidas são o remédio encontrado pela RBS para deter a queda de receita do negócio de jornais, que começou a sentir o impacto da Internet sofrido por outras publicações em todo mundo.

O peso do corte, tanto em pessoal como em poder interno, caiu sobre as redações. Da leva de demissões anunciada em agosto, 40, ou 30%, eram jornalistas. 

A RBS fechou sucursais no interior do Rio Grande do Sul e demitiu profissionais experientes que lideravam o Diário Gaúcho e o Diário Catarinense.

A aposta da RBS parece ser fazer mais com menos na sua operação de jornais, cujos títulos são líderes de mercado, ao mesmo tempo em que orienta a empresa para aproveitar o que enxerga com oportunidades no meio digital por meio da plataforma de investimentos eBricks.

A revelação de que Cláudio Galeazzi está envolvido na decisão mostra o tamanho do compromisso dos novos gestores da empresa com a virada.

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