Locke é investida nacional no mercado de VOD. Foto: divulgação.

Em meio a um crescente mercado nacional de consumo de vídeo sob demanda (VOD), a brasileira Looke quer conquistar o mercado brasileiro de streaming de vídeo e rivalizar com gigantes como Netflix.

Com um catálogo de 8 mil títulos, entre filmes, documentários, shows e séries, a plataforma foi lançada este ano com apps para PC, MAC, TVs e blu-rays conectados, assim como os sistemas iOS, Android, Windows e Xbox. Em breve, a companhia deve lançar o app para Playstation 3 e 4.

O plano da startup é impulsionar sua base de assinantes através de parcerias com provedores de serviços de internet (ISPs, na sigla em inglês). O objetivo é fechar cerca de 100 destes acordos até o final de 2015.

“Provedores de internet ou ISP que desejam agregar valor a seus produtos ou aumentar o leque de ofertas para seus usuários podem contar agora com esta possibilidade. A integração pode ser muito rápida, dependendo do modelo acordado, e até pode ser sem nenhum custo”, afirma Luiz Guimarães, diretor do Looke.

A projeção da empresa é chegar a 650 mil assinantes do final de 2016 e 1.500.000 no final de 2017. Para suportar esta carga, a companhia sediou seu serviço na nuvem do Azure, da Microsoft. Os valores de investimento na plataforma não foram abertos.

O valor da assinatura do Looke é igual ao do Netflix - R$ 18,90 - mas ao navegar no site as diferenças de conteúdo ficam bem evidentes. Embora o serviço tenha um catálogo de títulos liberados gratuitamente para assinantes, metade desta lista é paga à parte.

Essa cobrança fica evidente nos lançamentos mais recentes, filmes que não se encontram no Netflix, mas que o Locke disponibiliza para compra ou locação com preços semelhantes aos encontrados no mercado.

Por exemplo, filmes como Ex-Machina e Mad Max - Estrada da Morte, filmes que recentemente saíram do cinema e não estão no Netflix, estão disponíveis aos assinantes da plataforma nacional para locação ao preço de R$ 9,90. Por outro lado, blockbusters do passado como De Volta Para o Futuro e A Origem também são pagos no Looke, enquanto saem de graça dentro da assinatura do Netflix.

Entretanto, para Guimarães, o foco do novo serviço é ofertar conteúdos diferenciados não disponíveis em outras plataformas, buscando complementar os pacotes de assinatura e locação de vídeos com opções como a opção de reprodução offline dos vídeos, algo que o Netflix não possui.

"Queremos inovar em relação a serviços similares que já existem no mercado, melhorando o acesso aos filmes, desenhos, shows musicais e séries”, conta o diretor da Looke.

A favor da Looke, o potencial do mercado brasileiro é grande: o brasileiro é um dos que gasta mais tempo online assistindo vídeos sob demanda, segundo dados da Consumer Lab, área da Ericsson que estuda o comportamento dos usuários. Enquanto a média global fica em 35%, os brasileiros estão na frente com 36%.

No mercado de assinatura de serviços de vídeo, o exemplo do Netflix no Brasil é outro indicativo - e também uma briga complicada. Dos 4,5 milhões de assinantes da plataforma na América Latina, 2,2 milhões estão no Brasil.

Segundo estimativas de mercado, o Netflix faturou R$ 500 milhões nesse ano, mais do que canais de TV tradicionais como Band e RedeTV, quarta e quinta maiores emissoras abertas brasileiras.

Outro plano da Looke para rentabilizar seu negócio é trabalhar de forma mais próxima com produtores nacionais de conteúdo, com filmes de longa e curta metragem, assim como séries independentes.

"Alguns conteúdos ainda contam com páginas diferenciadas no conceito de store-in-store, nos quais os produtores e distribuidores conseguem personalizar a página com banners e listas especiais de seus conteúdos. É uma plataforma que tem como principal objetivo fazer o conteúdo chegar ao usuário", conta Guimarães.

Uma iniciativa semelhante foi sugerida pelo próprio governo este ano. O Ministério da Cultura está trabalhando em uma versão nacional do Netflix, com lançamento previsto para 2016 e contando apenas com filmes nacionais, incluindo obras de domínio público, oferecidos de graça, e filmes sobre os quais ainda incida o direito autoral e que, consequentemente, serão cobrados.

Procurado pela reportagem do Baguete, Ministério da Cultura confirmou por nota existência do projeto e disse que o modelo do serviço, assim como o investimento em base tecnológica e as formas de licenciamento e remuneração estão "em estudo".

Quanto aos filmes, nacionais, a lista do Looke ainda é limitada, com poucos títulos grátis para assinantes e outros pagos, como o caso do recente O Lobo Atrás da Porta.