Mario Meirelles, country manager da Amazon Advertising Brazil. Foto: divulgação.

A Amazon deve lançar em outubro a versão brasileira do seu braço de publicidade on-line, uma de suas mais lucrativas unidades de negócios, conforme aponta o site NeoFeed.

Caso isso se confirme, o serviço Amazon Ads vai entrar na competição com Google, Facebook, Mercado Livre, B2W e Magazine Luiza.

A empresa já teria até montado parte da equipe, incluindo profissionais com passagens no Spotify e Google, e já estaria fazendo apresentações para agências de publicidade no mercado brasileiro.

Os formatos vendidos seriam banners e vídeos nos sites da Amazon e de uma rede de parceiros externos, que não foi divulgada.

Assim, o serviço deve começar com uma audiência de pelo menos 40 milhões de visitantes únicos mensais, incluindo as pessoas que acessam o site da Amazon e outros serviços da empresa, como Prime Music, Prime Video, Kindle, Twitch e Alexa.

Ainda de acordo com a publicação, em um primeiro momento a Amazon vai lançar apenas a sua DSP, ou demand side platform, em inglês, uma plataforma de software que auxilia e otimiza a compra de mídia digital.

Já no primeiro trimestre de 2021, o plano seria entrar com o que é chamado de sponsored products, links patrocinados em buscas no site da Amazon para produtos que estão sendo vendidos no marketplace.

A área de publicidade será comandada por Mario Meirelles, que teve passagens pela área de livros da Amazon. No LinkedIn, seu cargo atual está com o título de country manager da Amazon Advertising Brazil e a capa do perfil já contém o logo do serviço de mídia.

Outra profissional contratada para o novo serviço seria Celia Goldstein, que atuou na área de vendas do Spotify e se apresenta como head de agency development da Amazon Brasil.

Procurada pelo NeoFeed, a Amazon disse que não comenta rumores ou especulações do mercado.

Segundo estimativas da consultoria eMarketer, a Amazon Ads deve faturar US$ 13 bilhões só nos Estados Unidos em 2020. No próximo ano, a previsão é alcançar US$ 16,7 bilhões e uma fatia de quase 10% do mercado americano de publicidade digital.

No Brasil, o Magazine Luiza acabou de entrar no mercado com a compra do site de notícias de tecnologia Canaltech e da Inloco Media, braço de publicidade da empresa de geolocalização Inloco.

Com as aquisições, que aconteceram em agosto, a companhia comandada por Frederico Trajano criou a Magalu Ads, mas alguns dos seus principais competidores já estão nesse mercado há mais tempo.

O Mercado Livre, por exemplo, deve atingir uma receita de até R$ 1 bilhão em publicidade. 

Já a B2W, dona das marcas Submarino e Americanas.com, não abre informações sobre o quanto fatura com publicidade. No segundo trimestre de 2020, a receita da sua divisão B2W Ads cresceu 283% sobre o mesmo período do ano passado.

A Amazon chegou ao Brasil em dezembro de 2012, quando lançou o seu leitor de livro digital Kindle. Depois disso, começou a vender livros somente em 2014 e, três anos depois, trouxe o marketplace ao país.

Em 2019, a companhia passou a fazer vendas com estoque próprio em várias categorias de produtos. Recentemente, a varejista lançou a sua assistente pessoal Alexa e o serviço Prime, além do streaming de vídeo e música.

Com a pandemia, veio a aceleração dos investimentos em logística. Em agosto, a empresa anunciou um novo centro de distribuição no Rio Grande do Sul e, em setembro, mais um CD em São Paulo.

A Amazon não abre nenhuma informação relevante sobre sua presença no Brasil (como, aliás, a AWS, seu braço de computação em nuvem), mas analistas estimavam que as vendas devem girar em torno de R$ 800 milhões em 2019, contra algo em torno de R$ 500 milhões em 2018.