Funcionários da Nokia checam os últimos detalhes do contrato com o Google. Foto: Divulgação.

A Nokia, gigante finlandesa de equipamentos de telecomunicação, vai migrar sua infraestrutura de TI para a nuvem do Google, como parte de um contrato de cinco anos.

Estão incluídos no projeto data centers e servidores em todo o mundo, bem como vários aplicativos de software. 

A infraestrutura e os aplicativos da Nokia serão executados na nuvem pública ou em um modelo de software como serviço (SaaS) a partir de agora. 

Não foram revelados os valores do contrato. A implantação da migração já foi iniciada e deve se estender por um período de 18 a 24 meses.

O Google tem fechado contratos de grande visibilidade na área de computação em nuvem, no caso da Nokia, com o gostinho de ser um cliente com uma longa relação com a Microsoft (talvez a relação, que envolveu o fim do negócio de celulares da Nokia, não tenha deixado boas lembranças).

Em julho, o Grupo Renault fechou um acordo com o Google para usar a nuvem da gigante de TI como base para a plataforma digital da montadora francesa, que conecta informações de 22 plantas em todo o mundo.

No final do ano passado, a Telecom Italia anunciou que estava adotando tecnologia do Google tanto internamente como externamente, com a criação de uma companhia separada focada no mercado de computação em nuvem na Itália.

No entanto, o Google ainda tem que comer algum feijão se quiser alcançar a AWS, pioneira em computação em nuvem e líder de mercado, e a Microsoft, que começou mais tarde, mas alavancou sua presença no segmento corporativo para estabelecer um sólido segundo lugar.

De acordo com números do Gartner, o setor é liderado pela AWS, com 44,2% do mercado. A lista segue com Microsoft (7,1%), Alibaba (3%) e Google (2,3%). 

Neste ano, em um movimento inédito, a Alphabet (empresa mãe do Google) abriu os números da vertical de nuvem. 

O Google Cloud fechou o trimestre passado com receita de US$ 2,62 bilhões, uma alta de 54% frente aos resultados do mesmo período do ano anterior.

Os planos do novo CEO do Google Cloud, Thomas Kurian, são de crescimento agressivo baseado no manual da Oracle, onde ele fez carreira e chegou a ser o chefão da área de nuvem.

Segundo Kurian disse ao Wall Street Journal em abril do ano passado,  os times de venda do Google Cloud são um décimo das equipes trabalhando com AWS e Azure. Ele quer chegar a pelo menos a metade.

É muita gente, mas Kurian citou sua experiência de contratar 4 mil pessoas em um ano para o time de vendas da Oracle.

Outra parte do plano de Kurian é criar tecnologias que permitam aos desenvolvedores criar aplicações que rodem na nuvem do Google, mas também na da AWS e Microsoft, que no momento são líderes disparados de mercado.

Kurian disse que o plano em termos de tecnologia é similar ao que a Oracle fez com o Java, uma linguagem de programação que se tornou um standard de mercado.

Além disso, o novo CEO do Google Cloud quer que a empresa crie produtos específicos por indústria, focando em verticais como saúde, varejo, finanças ou indústria automotiva.

CONTRATAÇÕES

Nos últimos anos, o Google contratou executivos em peso no mercado para reforçar o negócio cloud.

O CEO do Google Cloud, Thomas Kurian, foi contratado em 2018 vindo da Oracle, onde liderava toda a oferta de nuvem e era apontado como potencial sucessor para o fundador da Oracle, Larry Ellisson.

No ano seguinte, o Google trouxe Rob Enslin, um executivo de carreira da SAP, onde também comandava o negócio de nuvem.

As contratações acontecem também na América Latina, que passou a ter uma estrutura comercial própria no ano passado. 

Eduardo López, ex-VP de Enterprise Architect e Solutions da Oracle, foi contratado para o cargo de head de Vendas do Google Cloud para a América Latina.

López é argentino, mas fez carreira na Oracle por quase 20 anos em uma série de cargos na área de vendas baseados no Brasil.

No final de 2018, o Google divulgou que o número total de clientes do Google Cloud no Brasil aumentou um pouco mais de quatro vezes (330%) enquanto o número de revendas aumentou cinco vezes.

É provável que a multiplicação de clientes e parceiros tenha sido tão acelerada porque a base inicial era baixa, mas de todas formas, ela mostra o momento do Google nesse mercado.

Em 2017, o Google lançou uma região do seu cloud para América Latina, baseada em São Paulo. O Brasil também foi o primeiro país a permitir o pagamento em moeda local.