Mariano Gordinho. Foto: divulgação.

A Associação Brasileira dos Distribuidores de Tecnologia da Informação (Abradisti), divulgou números pouco animadores para 2015, em que o segmento deve fechar o ano com uma queda de mais de 8%.

Segundo pesquisa encomendada pela entidade junto à IT Data, o faturamento do setor deve chegar a R$ 11,5 bilhões neste ano, contra R$ 12,6 bilhões em 2014. A informação é do TI Inside.

De acordo com o estudo, 82% do faturamento das empresas do setor vieram da distribuição de software e hardware relacionado à TI, mas, apesar do alto percentual de participação das duas categorias no faturamento total, ambas registraram queda nas vendas em relação a 2014.

Para Mariano Gordinho, diretor executivo da Abradisti, o ano teve resultados aquém do esperado em decorrência das incertezas econômicas do país, que fez empresas congelarem investimentos em tecnologia.

"Os distribuidores que diversificaram seus negócios com prestação de serviços e comercialização de produtos não relacionados a TI alcançaram um desempenho superior à média do mercado", explica Gordinho.

O cenário exigiu mudanças drásticas de algumas revendas, que chegaram a abandonar as lojas físicas e migrar para a internet ou home office. Em 2015, 57,6% das empresas pesquisadas não tinham loja física, um aumento de 5,6% em relação ao ano passado. 36,5% têm apenas um escritório comercial e 21,1% trabalham em home office.

A parte de serviços já compreende 40,5% da receita das revendas brasileiras, uma tendência em alta nos últimos anos. Por outro lado, outros produtos registram forte queda. Um exemplo notável é o de hardware, cuja participação caiu de 31,4% para 26,9%.

A distribuição de eletrônicos para varejo também apresentou resultados abaixo do esperado em 2015, com quedas nas vendas de tablets (-56%), televisores (-37%) e notebooks (-17%). Nem os smartphones escaparam, com um recuo de 17% nas vendas.

A previsão inicial de 5,6% de crescimento no orçamento em relação ao ano anterior foi revisada em função do cenário econômico adverso e a redução nas verbas para investimento. A novas estimativa da IT Data é que o ano termine com um crescimento de 2,8%, bem abaixo da inflação prevista no ano (9,8%).

Para 2016, a estimativa é que o mercado de TI no Brasil cresça 2,8% no segmento corporativo e que haja um recuo de 6,8% nas vendas para pessoas físicas. Se a previsão se concretizar, haverá um crescimento de apenas 0,8% do mercado.

Com a cotação do dólar na faixa dos R$ 3,90, somada ao baixo crescimento dos investimentos em TI, a retração real pode chegar a 14,7%.

Os dados da IT Data explicam em números um cenário que apresentou sintomas significativos ao longo do ano. Um exemplo foi o pedido de recuperação judicial da Officer, uma das maiores distribuidoras do país.

A decisão, divulgada no mês passado, veio no rastro de um endividamento líquido de R$ 148,3 milhões no final do primeiro semestre de 2015 e um prejuízo acumulado de R$ 21 milhões. O faturamento da companhia ficou na casa dos R% 570 milhões, bem abaixo das previsões da companhia, que tinha uma receita esperada de R$ 1,5 bilhão para 2015.

Outro sinal é o de uma possível consolidação do segmento com a manobra de multinacionais como a própria Arrow, ScanSource (que comprou a Network1) e a Westcon, que anunciou uma reformulação de sua estrutura no Brasil, unificando a liderança de suas unidades de negócio e impulsionando o desenvolvimento de soluções voltadas a novos modelos de consumo - entre eles cloud e SaaS.