Demonstração do uso do Vero NFC-e. Foto: Baguete.

O Banrisul, com sua divisão de cartões e pagamentos eletrônicos, também quer brigar no ainda novo mercado de pontos de venda com nota fiscal eletrônica para o consumidor (NFC-e). O banco estatal anunciou nesta terça-feira o Vero NFC-e, POS que também funciona como emissor de notas fiscais eletrônicas.

Já disponível em sua versão básica, em que conexão cabeada à internet é exigida, o equipamento é voltado principalmente a varejistas de pequeno e médio porte que ainda não contam com soluções integradas de pagamento e emissão fiscal.

Para usar o equipamento, o varejista deve pagar uma mensalidade de R$ 150, que já inclui os custos de aluguel da máquina e software de integração com a Secretaria da Fazenda para a emissão das notas eletrônicas. Além disso, o banco cobra uma taxa de R$ 45, válida por três anos - para a certificação digital do uso de NFC-e.

A fase inicial do serviço será focada na região metropolitana de Porto Alegre, e deve ser expandida a partir do primeiro trimestre de 2015, incluindo novos equipamentos, como leitor de cartões para smartphone e POS wireless com ligação GPRS.

A tecnologia usa um sistema desenvolvido pelo banco estatal em parceria com a fabricante VeriFone e a integradora portoalegrense 3ia, que faz a adaptação do software para o hardware importado da multinacional.

Para Túlio Luiz Zamin, presidente do Banrisul, a nova oferta será um grande diferencial para o banco e sua rede de adquirência. De acordo com o executivo, o Vero NFC-e é resultado de uma colaboração de três anos do banco com a Sefaz-RS.

"Este POS servirá como o ponto de partida para um novo movimento no comércio varejista, levando em conta que até 2016 a emissão da nota fiscal eletrônica será obrigatória para todos", afirmou Zamin.

De acordo com Bolivar Moura Neto, diretor-presidente da Banrisul Cartões, empresa responsável pela marca Vero, o produto é o primeiro do país a unir capacidades de POS e NFC-e em um único equipamento.

"Ele faz as operações básicas de POS, que é o pagamento eletrônico via cartão, mas também pode emitir notas caso o cliente pague em dinheiro", afirma o diretor.

A máquina tem memória para armazenamento de até 30 mil itens e 20 mil clientes. A integração de dados pode ser feita no teclado do POS, ligação com um PC, ou integração com outras soluções fiscais. O aparelho também aceitará ligação com leitores de códigos de barra.

"Estamos propondo uma solução simples que integra o processo de checkout, emissão fiscal e o pagamento. É algo que muitos comerciantes pequenos e médios ainda não tem acesso, e que agora fica mais acessível", afirma Moura Neto.

Moura Neto reconhece que a nova solução deve provocar a concorrência no mercado de NFC-e, que ainda trabalha no estágio de integração de pontos de venda ao novo modelo.

Empresas como Automatech, Decision IT e Inventti já vem atuando no estado em projetos junto a empresas como Tumelero, Panvel e Carrefour. Entretanto, o uso da solução ainda se divide entre sistemas de integração, ponto de venda e equipamentos.

"Estamos de fato inovando com este produto, o que pode até gerar um certo ciúme. A concorrência terá que se mexer", brinca o diretor da Banrisul Cartões.

Com a entrada do Banrisul na briga, 2015 se desenha como o ano para a adoção massificada da nota fiscal eletrônica para o consumidor, expectativa da Sefaz para 2014, mas que não se concretizou ainda.

Amazonas e Rio Grande do Sul são os estados pioneiros na tecnologia, já contando inclusive com prazo de obrigatoriedade para o seu uso. Entretanto, ela já tem pilotos em estados como São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro, entre outros.

Segundo dados da Associação Brasileira de Automação Comercial (Afrac), o comércio varejista em geral deverá investir cerca de R$ 1 bilhão até 2015 para se adequar à NFC-e.