APOSTAS

Dialog, O2OBOTS e Manfing levam desafio da Meta

16/12/2020 11:44

Startups serão investidas pela companhia de tecnologia dentro do programa Bring Your SaaS.

Márcio Flôres e Cláudio Carrara.

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Dialog, O2OBOTS e Manfing, três startups com produtos de software as a service para diferentes nichos, foram as vencedoras do Bring Your SaaS da Meta, podendo agora ter a possibilidade de receber um investimento entre R$ 500 mil e R$ 1,5 milhão ao final de um processo de aceleração.

As empresas foram escolhidas entre sete finalistas, em um concurso com 139 negócios inscritos.

Agora, elas terão acesso a projetos estratégicos junto a base de clientes da Meta, além de mentorias, treinamentos e a uma imersão no ecossistema de inovação da região de Toronto, no Canadá, onde a Meta tem uma unidade de negócios, além de participar do evento Collision 2021, em junho do próximo ano. 

O primeiro lugar no concurso foi da paulista Dialog.ci, criadora de uma solução que combina rede social corporativa e um hub de soluções de RH. 

Ela está instalada no Cubo, aceleradora do Itaú em São Paulo, e já tem 22 clientes nacionais de grande porte, dentre eles as redes Carrefour, Via Varejo e o SBT. O faturamento em 2020 deve ser de R$ 3 milhões.

O CEO da Dialog é Andre Franco, que foi gerente geral da Critical Mass, uma agência da Omnicom & Grupo In Press, um dos maiores na área de comunicação no país.

A O2OBOTS criou uma solução para vender seguros pelo WhatsApp usando inteligência artificial, ou pelo menos captar leads que possam ser trabalhados por corretores.

Leonardo Rochadel, CEO da O2OBOTS, já fundou outras quatro empresas. A Toppay, uma startup de mobile commerce e Zartana, de e-mail marketing.

Já a Manfing também tem uma aplicação de IA, mas voltada para a análise do histórico de consumo de clientes visando aumentar o ticket médio de compra, já usada por 15 clientes de grande porte.

Leandro Guilherme Volanick, CTO da Manfing, já teve uma empresa de desenvolvimento de sistemas, e tem como sócio Sidnei Carlos Terribele, um dos fundadores da Datacoper, uma empresa com 23 anos de atuação.

O Bring Your Saas não é um evento isolado. A Meta criou um braço de venture capital, com planos de investir R$ 20 milhões em startups de tecnologia nos próximos quatro anos.

O foco são negócios de software como serviço, com modelos de negócios B2B e B2B2C em sinergia com as frentes de atuação da Meta, que atua com desenvolvimento de software, consultoria, terceirização de processos de negócios e implementações de tecnologia SAP.

“Passamos a olhar para a possibilidade de conquistar novas soluções não só pelo caminho tradicional de desenvolver competências e serviços através da contratação de profissionais, mas olhando para o mercado e acelerando esse processo ao agregar novas soluções por meio de investimento e conexão com startups”, explica Claudio Carrara, vice-presidente da Meta.

A inicitiva de aproximação com o mundo das startups é liderada por Márcio Flôres, Head de Corporate Venture da Meta. Flôres atuou 14 anos pela Meta entre 2004 e 2018, passando depois por Zup Innovation e Nexcode, duas startups de destaque. 

“Queremos fazer essa conexão das startups com os clientes da Meta, com as soluções e, principalmente, com nossos serviços de transformação digital, tudo isso alinhado com a ideia de promover crescimento humano com tecnologia. Nossa ideia é investir em quatro ou cinco startups ao ano”, destaca Flôres.

O juri do Bring Your SaaS, transmitido online nesta terça-feira, 15, mostra o empenho da Meta no assunto, Além de diferentes diretores da empresa, foram convidados também nomes como Carolina Morandini, da Wayra; Agenor Leão, da Natura; Mateus de Abreu, da Randon; Rafhael Paulo, da BRF e Fábio Lins, do Banco Original.

A Meta começou apostar em uma aproximação maior com startups no ano passado e já aplicou R$ 3 milhões em três negócios diferentes.

A Netrin, fruto de uma spin-off da unidade de negócios da Meta no Paraná, provê soluções de big data e inteligência da informação

Já Ayga oferece mecanismos de conexão, localização e monitoramento de ativos por meio da Internet das Coisas e tem base em Porto Alegre. 

A Conecta Lá, de Florianópolis, oferta ferramentas de venda e controle de operações para diferentes marketplaces.

Além do capital, a Meta tem a oferecer uma porta de entrada em companhias de médio e grande porte, incluindo nomes como John Deere, Banco Original, TV Globo, Localiza, Sicredi e Sascar. 

A Meta também vem em um bom momento. O faturamento da empresa aumentou 56% no primeiro semestre na relação com o mesmo período do ano passado, agregando 432 novos profissionais, um aumento de 36% na equipe, que agora chega a 1,2 mil pessoas.

Os resultados do primeiro semestre não acontecem no vácuo. No final de 2017, a Meta estabeleceu o objetivo de duplicar de tamanho nos três anos seguintes, um plano no qual investiu R$ 24 milhões em treinamento, novas operações e a criação de ofertas especiais, como por exemplo um período de testes para o S/4.

Desde então, a empresa vem em alta, tendo crescido 25% em 2018 e 49% em 2019. Para o período entre 2021 e 2023 a ideia é duplicar de tamanho outra vez.

A Meta não abre números, mas é fácil supor que, caso obtida, a nova duplicação colocaria a empresa entre as maiores do país na área de tecnologia.

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