Nem sempre é fácil a vida do cliente Oracle. Foto: Pexels.

O custo é de longe o principal problema dos clientes do banco de dados Oracle, uma situação que está levando a uma política cautelosa de upgrades e à busca por alternativas mais baratas.

Pelo menos, é o que indica uma pesquisa da Rimini Street, na qual nada menos que 97% dos pesquisados indicou custo, como uma das respostas para a pergunta "Quais são os seus três principais desafios com relação ao seu Oracle Database?".

Em um segundo lugar distante, com 51%, ficaram "conformidade de licenças", e em terceiro, quase empatado, "Atualizações regulares para manter o suporte", com 50%.

"A segurança e o custo/esforço necessários para aplicar patches de segurança", também teve um número importante de menções, com 42%.

As reclamações sobre os preços seguem também quando a pergunta é como o cliente se "sente" em relação ao  custo de suporte e manutenção do Oracle Database.

Um pouquinho mais da metade (50,2%), disse que está "pagando além do valor percebido", e outros 32% disseram que os custos são "excessivos".

A tendência de queixa está em alta. Menos de 15% consideram que as tarifas são pelo menos justas, uma porcentagem que caiu 50% em comparação com a pesquisa feita pela Rimini sobre o tema em 2017.

Convém olhar os números com uma dose de cuidado, já que o negócio da Rimini é entre outras coisas vender suporte terceirizado para banco de dados Oracle e a empresa tem todo o interesse em dizer que o serviço é caro.  

A mostra é relativamente pequena, constando de 237 entrevistados, metade deles gerentes de TI. Na maioria, eles gerenciam instalações de pequeno ou médio porte, com 25% indo de 1 a 10 instâncias, 35% de 11 a 100 e outros 22% de 501 para cima. 

Por outro lado, as respostas pintam um quadro bastante consistente de como os clientes tem lidado com o preço de migrar para uma nova versão do banco de dados.

A resposta da maioria é não lidar, não migrando. Dois terços dos entrevistados preferem não atualizar totalmente o seu banco de dados Oracle, em diferentes graduações, indo desde os que nunca atualizam (3,6%), até um grupo maior que prefere não atualizar enquanto os sistemas seguirem funcionando (20%) até o maior grupo, que atualiza as instâncias principais, enquanto mantém versões antigas (37%).

Em contraposição, só 14,3% disseram que "atualizam prontamente" todas as instâncias de banco de dados para a versão mais recente, sendo assim o cliente dos sonhos de qualquer empresa de tecnologia.

Essa abordagem de atualizar pouco e por partes está produzindo uma certa dose de confusão, agravada pelo fato da versão 11.2 e anteriores terem deixado de receber suporte total no final do ano passado, o que significa, entre outras coisas, não receber mais patches críticos.

Questionados sobre a porcentagem de instâncias Oracle na versão 11.2 ou anterior estão rodando na sua empresa, 16,5% deu como resposta um sincero, mas preocupante "não sei".

Uma parcela importante, de 26,6%, disse que nenhuma. Um número similar, de 22%, disse que até um quarto dos seus bancos deixariam de receber suporte.

No final das contas, entre os que não sabem (parece difícil de acreditar que quem não sabe está 100% atualizado) e os que sabem que tem versões sem suporte, o número chega a 73%.

Com tudo isso, quase a metade (48%) dos pesquisados disse que continuará com a Oracle como seu banco de dados principais. 

Ao mesmo tempo, 35,2% disseram estar "considerando ou migrando para bancos de dados de código aberto", visando cortar custos. As opções mais apontadas foram PostgreSQL, MySQL e MongoDB. Outros 34% falaram em "outros bancos de dados".

Aqui, a Rimini incluiu um dado do Gartner, que constatou que sistemas de gerenciamento de bancos de dados de código aberto (conhecidos pela bela sigla OSDBMS) devem ser a base de 70% das novas aplicações internas até 2022.

Só 18% disseram estar migrando para o Oracle Cloud, o que provavelmente não é a resposta que a Oracle gostaria de ouvir.