Após mais de dez dias de silêncio da Telecom Itália, o presidente do grupo, o italiano Franco Bernabé, falou pela primeira vez, em entrevista à revista Exame, sobre a demissão de Luca Luciani, que presidia a TIM Brasil.

A saída do executivo ocorreu depois que veio à tona a conclusão de um inquérito da Promotoria de Milão que investigou supostas fraudes no balanço da Telecom Itália entre 2005 e 2007.

No período, diretores da empresa – incluindo Luciani – teriam autorizado o registro ilegal de chips de celular no balanço da Telecom Italia, o que teria inflado a participação da empresa no mercado, já que os chips seriam inativos ou registrados em nome de clientes inexistentes.

Na entrevista à Exame, Bernabé disse estar pronto a limpar a reputação da empresa.

O executivo afirma que a saída de Luciani foi uma medida para preservar a reputação da empresa frente às noticías de conclusão das investigações feitas pela Promotoria de Milão sobre supostas fraudes nos registros de chips, mas não reconheceu ilegalidades, que atribuiu a erros de tradução.

Questionado por Exame sobre a investigação da Promotoria de Milão quanto a chips da companhia que teriam sido registrados ilegalmente entre 2005 e 2009, ele rebateu.

“Não foi ilegalmente. Infelizmente, por conta de problemas de tradução, houve muita coisa entendida de maneira errada”, defendeu-se na entrevista.

Bernabé esclareceu o tema explicando que na Itália há uma legislação antiterrorismo que impõe um controle rígido sobre quem é o dono do chip.

Assim, para cada chip em circulação, é preciso haver uma identificação precisa do dono, com a cópia de seu documento de identidade.

Segundo ele, os sete milhões de chips não foram ilegalmente registrados, mas sim de forma irregular.

Por exemplo: conforme o presidente, se a empresa não guarda uma cópia do documento de identidade do cliente, é um registro irregular. Se alguém tem mais de um chip em seu nome, também.

“Eu mesmo tenho mais de cinco chips em meu nome, porque tenho um iPhone, um Blackberry, um tablet... Se você tem mais de cinco chips, é um registro irregular”, justificou.

Bernabé também comentou à Exame sobre o trabalho de Luca Luciani à frente da TIM Brasil, destacando- o como “ótimo“ e enfatizando que não vê “absolutamente nada” errado no comportamento do ex-presidente da subsidiária.

O italiano chegou a salientar que a Telecom Itália enviou o relatório anual da TIM Brasil aos órgãos reguladores no dia 14 de maio com assinatura dele próprio, que se disse “perfeitamente confortável sobre tudo o que estava escrito”.

Para Bernabé, a companhia não perdeu a confiança nem em Luciani, nem nos sistemas internos de controle da TIM Brasil.

Além disso, destacou que a Telecom Itália não demitiu Luciani, mas se separou dele, por uma razão que definiu como simples.

“A investigação conduzida pela Promotoria de Milão sobre eventos que aconteceram na Itália há mais de cinco anos chegou ao fim. Isso criou muito ruído no mercado e poderia afetar a nossa reputação. Não é bom também para a reputação do Luca”, afirmou.

A entrevista completa da Exame com Bernabé pode ser conferida no site da revista.