A plataforma Watson lidera os estudos em escala comercial de computação cognitiva. Foto: flickr.com/nvidia.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a IBM Brasil firmaram um acordo de cooperação para compartilhar investimentos de até US$ 500 mil, ao longo de 10 anos, a serem utilizados em projetos de pesquisa na área de computação cognitiva. 

Um comitê formado por representantes da Fapesp e do Laboratório de Pesquisa da IBM Brasil conduzirá a avaliação e seleção de projetos apresentados em resposta a chamadas de propostas a serem lançadas periodicamente.

Cada Chamada terá foco em temas específicos da área de computação cognitiva, como teoria e aplicações de inteligência artificial, processamento de linguagem natural, planejamento e raciocínio de bom senso e análise de big data, entre outros.

Poderão participar das chamadas pesquisadores de instituições de ensino superior e pesquisa no estado de São Paulo. 

A computação cognitiva é considerada a Terceira Era Computacional, pois seus sistemas se aproximam da forma humana de pensar, interagir e aprender, extraindo conhecimento de dados não-estruturados com origem em fontes distintas em formato de texto, imagem e vídeos. 

A plataforma de computação cognitiva da IBM, o Watson, tem liderado as experiências em escala comercial desta tecnologia com diversas companhias no mundo.

“A parceria abre grandes possibilidades para a comunidade científica de São Paulo interagir com pesquisadores de uma das empresas mais avançadas em ciência e tecnologia na área de sistemas cognitivos. O Laboratório de Pesquisa da IBM vai contribuir para o aumento da abrangência em pesquisa desta tecnologia”, diz Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp.

Em palestra realizada em Porto Alegre na última semana, Fábio Gandour, cientista-chefe da IBM Research Division do Brasil, reforçou que o desafio da IBM com o Watson no Brasil é a criação de um engenho de processamento semântico que opere em português, para que o sistema entenda a linguagem local com profundidade e consiga processar perguntas com o modo de falar do país. 

“Eu adoraria que as universidades se envolvessem nesse processo. Acredito que seriam necessários entre 1 ano e meio e dois anos para desenvolver um projeto como esse”, destacou Gandour durante a palestra.

O valor repassado pela Fapesp a pesquisadores, por meio de bolsas de mestrado e doutorado, recuou de R$ 189,8 milhões entre janeiro e novembro de 2014 para R$ 167,1 milhões no mesmo período de 2015.

Por ter um orçamento anual correspondente a 1% do total da receita tributária do estado de São Paulo, a fundação justifica que a redução nos desembolsos se deve à queda de arrecadação no Brasil e no em São Paulo.

Em 2015, a Fapesp desembolsou um total de R$ 1,2 bilhão para apoio a projetos de pesquisa científica e tecnológica.