Casa de câmbio BitcoinToYou, em Curitiba. Foto: Divulgação

A primeira casa de câmbio de Bitcoin no país foi inaugurada nesta terça-feira, 17. A cidade de Curitiba foi a primeira cidade a receber tal novidade, com a loja BitcoinToYou.

Segundo o fundador André Horta, o principal objetivo é levar o bitcoin para um ambiente fora da internet, para facilitar que as pessoas possam comprá-lo da mesma forma que se compra um produto em uma loja qualquer.

"Será similar a uma casa de câmbio. Só que não trabalharemos com moedas estrangeiras, mas com bitcoin”, comenta o empresário.

A loja pode ser a primeira de uma série de franquias no Brasil. O executivo pretende inaugurar estabelecimentos em São Paulo, Brasília e Florianópolis até o fim de julho.

Na loja, os clientes poderão vender ou comprar as moedas virtuais. Será possível pagar com dinheiro ou cartão de débito ou crédito, além de optar por parcelar o pagamento em até seis vezes. Após a transação, a quantia é transferida para a carteira virtual.

Caso o cliente não tenha uma, ele receberá uma “paper wallet”, algo como um impresso com o endereço de uma carteira que possui o saldo comprado.

Segundo Horta, a expectativa é movimentar 300 bitcoins por mês, visão otimista em comparação ao movimentado mensalmente pelo site da BitcoinToYou, de 800 bitcoins.

Natural de Betim, na região metropolitana da capital mineira Belo Horizonte, Horta acredita que a loja física também é uma oportunidade para estrangeiros negociarem suas moedas no Brasil. Isso porque os casas de câmbio on-line do país exigem uma conta corrente em banco brasileiro para efetuar uma transferência.

A iniciativa não é a primeira no mundo. A cidade de Nova Iorque já existe uma Bitcoin Center NYC que reúne negociantes da cidade americana. Além dela, Londre, Varsóvia e Hong Kong contam com pontos de câmbio similar ao brasileiro.

Embora ainda seja uma moeda nova, criada há cerca de cinco anos, o Bitcoin caminha para um momento decisivo em sua trajetória à medida que fica mais conhecido e valorizado. Há quem diga que em uma década, será a moeda principal de troca na web.

Para Elizabeth Ploshay, integrante do conselho diretor da Bitcoin Foundation, a moeda virtual será algo comum. "Em 10 anos, ter bitcoins será coisa comum, pois todo mundo estará utilizando ela", comentou.

A afirmação se deu durante a edição 2014 do Fórum de TI do Banrisul. Outra preocupação rebatida por Ploshay foi a da segurança da moeda, que recentemente sofreu um baque com o fechamento do Mt.Gox, site japonês de troca de e-cash, que desapareceu com milhões de bitcoins, em perdas de cerca de US$ 450 milhões.

Segundo a executiva, o problema do Mt.Gox foi de má administração e não ocasionado pelo Bitcoin. Para Ploshay, o fato de ser uma moeda virtual e pouco "peso" faz a moeda ainda não ser muito levada a sério.

Otimista, a conselheira acredita que muito em breve, a moeda será regulamentada no Brasil.

"Como é uma moeda que abrange transações entre usuários de todo o mundo, acredito que a regulação será algo coletivo entre vários países", analisa.