George Dolce, diretor de Marketing da Nextel Brasil.

A Nextel Brasil ativou na segunda-feira, 16, a sua operação comercial do 4G, com infraestrutura própria, na cidade do Rio de Janeiro.

A empresa acredita que há espaço para uma quinta operadora no país, especialmente para atender clientes premium, que podem pagar mais de R$ 100 por serviços de telecomunicações. 

Foram instaladas 300 antenas, que cobrem 19 bairros cariocas.  

A expansão está programada - a tele tem frequência 1,8GHz comprada no 3G em Minas Gerais e no Nordeste - mas o diretor de Marketing da Nextel Brasil, George Dolce, em entrevista ao Convergência Digital, não quis adiantar quais serão as próximas cidades. 

Indagado se haveria a possibilidade de a Nextel fazer um acordo semelhante ao firmado com a Vivo para o 3G - a empresa está pagando R$ 1 bilhão à Vivo pelo uso da cobertura 3G em mais de 2,7 mil municípios - Dolce diz que a possibilidade não está descartada, mas que neste momento a operadora investe em rede própria.

"O acordo com a Vivo é para o 3G apenas. Estamos com a Huawei fazendo a nossa rede 4G. O interessante do acordo com a Vivo é que temos relatórios com as cidades onde há maior procura fora da nossa área de cobertura. Estamos avaliando para ver essas localidades e apostar no 4G", destaca.

A situação financeira da holding da Nextel - a Nii Holdings- não afeta os planos da operadora no Brasil, diz Dolce.

Segundo ele, a empresa está, sim, buscando investimentos e se capitalizar para sustentar as operações, mas que, neste momento, não há a menor intenção de vender a Nextel Brasil, mas não descarta a entrada de novos acionistas.

"Esses rumores ocorrem até porque há a questão financeira da holding. Há uma busca por mais capital. Mas não se fala em venda da Nextel Brasil", diz.

Em janeiro, a Nii Holdings anunciou o corte de 25% do seu quadro de colaboradores, tanto na matriz, quanto em suas subsidiárias. Isso envolve 1,4 mil profissionais nas controladas.

Dolce informou ainda que, hoje, a Nextel registra mais de 100 mil novos assinantes 3G mensalmente, com cerca de 20% de clientes vindo de outras operadoras, interessados nos planos premium. 

A tele informa ainda que, nos quatro primeiros meses do ano, cresceu quase 900% comparado aos quatro primeiros meses de 2013, passando de 79 mil, para mais de 786 mil acessos 3G. 

Sobre o serviço tradicional de radio trunking (ou push-to-talk), o diretor de Marketing da Nextel Brasil garante que a operadora não está desativando a rede IDEN. 

"Temos ainda 50 mil adesões/mês aos nossos produtos de rádio. Mas a tecnologia evoluiu e estamos, inclusive, com o serviço de rádio, por meio de aplicativo, com mais de 470 mil downloads, nos celulares 3G de mercado", diz.

A expansão do 4G está no cronograma com rede própria e em Minas Gerais e no Nordeste, onde a operadora comprou a licença 3G, em 1,8GHz. São Paulo segue nos planos seja no leilão de 700 MHz, previsto para agosto, seja em novo embate pela licença da falida Unicel - que chegou a ser comprada, mas cuja operação foi cancelada pela Anatel.

"Temos total interesse em ficar com a frequência em São Paulo e vamos tentar voltar a falar com a Anatel. Sobre o leilão de 700 MHz, temos interesses, mas ainda há muitos pontos para serem esclarecidos. O custo da mitigação da TV digital é um deles", afirma Dolce. 

A Nextel também planeja usar a faixa de 850MHz - onde tem a rede IDEN - para ter 4G em cobertura nacional. 

"Como a procura pelo IDEN está caindo, podemos pensar em usar a frequência para o 4G. O planejamento existe", completa o executivo.

Para entrar na disputa do 4G, a Nextel aposta em planos agressivos. No caso do 4G, o pacote custa R$ 129,99 e inclui, além do acesso à nova tecnologia, 4 GB de tráfego de dados, 400 minutos para chamadas para outras operadoras fixas e móveis, chamadas ilimitadas para Nextel e SMS ilimitado.

No portfólio de aparelhos, a operadora tem entre modelos 4G o Samsung Galaxy S4 e os iPhones 5S e 5C.

No caso destes dois últimos, a Apple já aprovou a rede 4G da operadora e vai liberar o acesso aos assinantes da Nextel na próxima atualização do iOS. Além disso, chegarão em breve dos novos modelos da Motorola compatíveis com 4G.

A Vivo, líder em cobertura 4G no Brasil, Com isso, oferece o serviço em mais de 85 cidades. A companhia tem 858 mil clientes no 4G, segundo dados da Anatel.

A TIM é a segunda colocada, com 675 mil clientes, enquanto a Claro tem 320 mil assinantes do serviço. Em último vem a Oi, com 220 mil clientes de 4G.