O novo cliente do Ceitec? Foto: Hamik / Shutterstock

O Banco do Brasil iniciou uma negociação com o Ceitec visando firmar um Acordo de Cooperação Técnica para desenvolvimento no Brasil de um chip para uso em cartões de débito, crédito e pré-pago.

De acordo com uma nota divulgada pelo BB, o banco teria exclusividade das soluções desenvolvidas no âmbito do acordo.

Mesmo assim, seria um excelente negócio para o Ceitec, que não tem presença nesse mercado.

A base de cartões do BB com uso recorrente – pelo menos uma transação de compra nos últimos 30 dias – atingiu, em março de 2015, o patamar de 9,2 milhões na função crédito e 11,1 milhões na função de débito. 

No primeiro trimestre de 2015, o faturamento com cartões atingiu R$ 58,1 bilhões, crescimento de 7,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a quantidade de transações com cartões do BB cresceu 11,2% em relação ao ano de 2014.

Mesmo assim, existe um grande potencial de crescimento, uma vez que a base total de correntistas do BB, o maior banco do país, chega a quase 40 milhões de clientes.

O acordo poderá ser estendido às coligadas do Banco do Brasil na área de cartões, incluindo a bandeira Elo, que afirma  representar hoje quase 9% do mercado de pagamentos eletrônicos no Brasil, com  65 milhões de cartões emitidos por Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

“A nacionalização desta tecnologia trará ganhos para a indústria em função de diversos fatores, a exemplo da redução no prazo para importação do dispositivo, melhoria na eficiência operacional, além de ampliar a capacidade de atender às demandas de inovação em menor prazo”, explica o BB na sua nota.

A concretização do prospecto, no entanto, está longe de ser um fato seguro. Cartões com chip são uma realidade no Brasil há mais desde 2001. Atualmente existem no mercado brasileiro acima de 200 milhões de cartões emitidos com a tecnologia do chip, fabricados por multinacionais como Samsung, Infineon e Multos. 

O Ceitec, que em 2013 faturou R$ 1,2 milhão, fabrica principalmente o chamado chip do boi, usado no rastreamento de gado, além de chips para passaportes, medicamentos, hemoderivados, pessoas e veículos.

Os compradores na maioria são ligados ao governo, que tem um interesse especial em fomentar os negócios do Ceitec, empresa que é parte da política industrial de desenvolvimento do setor de semicondutores do governo federal e já recebeu mais de R$ 670 milhões desde 2000.

Um negócio com o Banco do Brasil poderia ser um passo importante para a viabilidade econômica da empresa.