Os sócios Rodrigo Sztelzer, Rafael Borges e Pedro Meneghetti apostam no crescente consumo de cervejas especiais. Foto: divulgação

Um grupo de amigos gaúchos queria experimentar as mais variadas cervejas do mundo. Viu o mercado nacional de consumo em crescimento exponencial e resolveu abrir um clube, o Have A Nice Beer.

Com início oficial em junho de 2011, a empresa faturou R$ 280 mil no ano passado, R$ 910 mil no primeiro semestre de 2012 e projeta superar os R$ 3 milhões até dezembro.

Atualmente, com 3,8 mil associados, a previsão de crescimento é de 10% ao mês, o que deve resultar em cerca de 7 mil assinantes no ano.

Para receber quatro cervejas especiais (sempre inéditas) de duas marcas diferentes e uma revista, o  cliente paga com cartão de crédito cerca de R$ 65 mais o frete – exceto Porto Alegre, Curitiba e São Paulo, que têm entrega gratuita.

O preço da mensalidade varia conforme o valor da seleção dos rótulos, mas não chega a R$ 70, de acordo com o Clube.

Em julho, ao completar um ano, o clube soma 10 mil kits entregues em todos os estados do país.

A gratuidade do frete faz com que a maioria dos clientes localize-se nas cidades com o desconto. O estado de São Paulo tem 54% dos associados, enquanto no Rio Grande do Sul estão 28%.

Os idealizadores Rafael Borges, com trajetória em agências de publicidade, Pedro Meneghetti, administrador com experiência em comércio exterior, e Rodrigo Sztelzer, que trabalhava com publicidade online, largaram os respectivos empregos para abrir o negócio.

A empresa foi criada em Porto Alegre  e hoje está baseada em São Paulo. A ideia começou a ser formatada em 2010, a partir do sistema semelhante utilizado pelos clubes de vinhos.

O aporte inicial foi de um investidor não divulgado que injetou R$ 200 mil. Conforme o sócio Rafael Borges, uma pesquisa do mercado permitiu que os sócios acreditassem na ideia.

“Não começamos por acaso. Analisamos o mercado e vimos o espaço, pois a economia brasileira apresentava um panorama favorável. Os brasileiros com acesso aos supérfluos e, junto ao poder de consumo, o acesso à internet”, explica.

O negócio é feito com parceiras com quatro importadoras brasileiras que acordam externamente e também sugerem rótulos conforme o mercado internacional. Dependendo do número de associados, o clube chega a importar cerca de 15 mil cervejas por mês.

Para não travar na burocracia de importação, as compras são feitas com pelo menos três meses de antecedência.

Borges acredita na continuidade da expansão do consumo de cervejas especiais e artesanais. “A qualidade do produto garante os associados”, ressalta.

Conforme o sócio, a cerveja Coopers Vintage Ale, da Austrália, foi a que mais teve repercussão junto aos associados, por meio das redes sociais e das revendas.

“Não priorizamos países, mas sim qualidade. Tentamos trazer as bebidas que são oriundas das maiores escolas cervejeiras: EUA, Reino Unido, Bélgica e Alemanha”.

Inicialmente, a prioridade do Have A Nice Beer é a estruturação básica do projeto. “Não queremos um crescimento acelerado e não consistente para não dar um passo maior que a perna”, destaca.

Segundo Borges, o modelo de negócio não é inovador. A empresa tem sete clubes concorrentes. “No Brasil, nos tornamos o clube com o maior número de sócios e o mais conhecido”, aponta.

Como? O publicitário aponta o kit como um diferencial. “Procuramos interagir com o associado e dar um sentido de coletivo”, diz.

O clube utiliza a web para divulgação e para o cadastro de seus associados. As redes sociais são o principal modo de divulgação.

Como estratégia de expansão, Borges revela que a revista também será pensada para ser comercializada nas bancas.

Produzida em São Paulo com coordenação de Rafael Borges e direção de arte de Jacqueline Lemos, hoje a equipe da publicação conta com sete colaboradores, alocados em vários estados. O conteúdo é voltado para produto, consumo e o “lifestyle cervejeiro”.