José Pastore. Foto: Marcus Quint, Fiesc.

Não há remédio para o Brasil, se não investir no ensino fundamental.

É o que prega o pesquisador da USP, José Pastore, para quem um reforço nesta área da educação é “sério, grave e urgente, inclusive para aqueles que já cursaram a educação básica, mas não tiveram bom proveito”.

Pastore participou de um painel sobre educação no primeiro dia da Jornada Inovação e Competitividade da Indústria, promovida pelo Sistema Fiesc na segunda-feira, 16, em Florianópolis.

Diante de uma plateia de 400 pessoas, o especialista disparou que, no país, faltam professores “adequadamente treinados para lecionar” especialmente matérias como matemática e física.

“É difícil encontrar professores nesse campo, e isso se reflete diretamente na produtividade do trabalho, que conta muito para a produtividade geral da indústria”, analisou Pastore.

Segundo ele, investir em equipamentos, energia, automação e gestão, sem investir nas pessoas que trabalharão com isso, é inútil.

Pastore tomou como exemplo países como Finlândia, Coreia do Sul e Cingapura, onde, afirmou, “programas sérios de educação” já foram implantados.

“Estes programas levam em conta não uma eleição, mas um sistema que possa varar as gerações”, disse Pastore.

Considerado uma autoridade brasileira em mercado de trabalho, o professor da USP também destacou que sempre que se fala em melhorar a qualidade do ensino, surge o argumento de que qualidade não casa com quantidade. E rebateu.

"Não é verdade. Em países colossais como a China, que investe na educação básica e no ensino médio, os avanços são perceptíveis a ponto de os empresários dispensarem os investimentos próprios, pois a educação pública dá conta", afirmou.

MENOS FORÇA, MAIS IDEIAS
Pastore também ressaltou a importância de a indústria investir na qualificalção de colaboradores, como um aditivo à educação formal.

“A produção moderna está baseada em elementos intangíveis, ou seja, usando mais as ideias e menos a força física. A capacidade de pensar é crucial”, destacou o especialista.

O encontro realizado pela Fiesc reuniu representantes 165 indústrias e mais de 20 sindicatos do setor.

FEIO NA FOTO
Conforme dados divulgados no evento, somente 30% da população do Brasil tem ensino médio completo.
Nos Estado Unidos, esse número chega a 90% e, na Alemanha, a 80%.

Atualmente, metade dos trabalhadores da indústria de Santa Catarina não tem a educação básica completa, o que corresponde a quase 400 mil pessoas.

No Brasil, a média de tempo de estudo da população adulta é de 7,2 anos, o que significa ensino fundamental incompleto.

No conjunto dos Brics, o país só ganha da Índia quanto à escolaridade de sua população.

“Até 2014, a meta do Sistema Fiesc é triplicar o número de matrículas de jovens e adultos. Para isso serão investidos R$ 100 milhões em programas na área, além de saúde e segurança do trabalhador”, destacou o presidente da federação, Glauco Côrte.