Da esquerda para direita: Estádio Nacional e as Arenas Pantanal, Amazonas e das Dunas. Foto: flickr.com/photos/energeticoacdp

O governo do Mato Grosso pediu um empréstimo de R$ 120 milhões na Caixa Econômica Federal para terminar as obras da Arena Pantanal, em Cuiabá, destinados principalmente a pagar pela infra de TI do estádio, que receberá quatro partidas da Copa do Mundo de 2014.

Segundo revela o Estado de São Paulo, a verba da Caixa deve vir de uma linha normalmente destinada a financiar obras de contrapartida do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O consórcio CLE, formado pela Canal Livre Comércio e Serviços Limitada e Etel Engenharia Montagens e Automações, vai receber R$ 98,3 milhões para implementar a área de tecnologia de TI da arena.

Em seu site, a Etel explica que o valor compreende a instalação de um sistema de telecomunicações, IPTV, CFTV, painel eletrônico, automação predial, entre outros. Já a Kango Brasil receberá R$ 19,4 milhões para colocar os assentos (R$ 421 por assento).

Tanto o CLE quanto a Etel foram contratados por meio do Regime Diferenciado de Contratações (RDC).

Ouvidos pelo Estadão, a Caixa afirmou que o pedido do governo do Mato Grosso está em avaliação. O governo mato grossense disse que tem recursos próprios mas preferiu pedir o financiamento pelas condições de crédito.

Segundo informou o Ministério do Planejamento por meio de sua assessoria, os recursos da linha de financiamento C-PAC, solicitados pelo Mato Grosso à Caixa, não são oriundos do Orçamento Geral da União (OGU), mas do caixa do banco.

O Ministério do Planejamento disse que a linha de financiamento, a C-PAC, não tem recursos do orçamento da União, mas do banco estatal.

A linha costuma ser usada para financiar pequenas obras de estados e municípios para complementar obras do PAC como hidrelétricas, rodovias e aeroportos, lembra o Estadão.

O MAIOR DOS ELEFANTES BRANCOS
A Arena Pantanal, que tem um orçamento de R$ 537 milhões, a maior parte deles saídos direto do governo estadual, detém a duvidosa honra de ser potencialmente o maior de todos os elefantes brancos que serão construídos no país para a Copa do Mundo de 2014.

De acordo com um levantamento feito pelo IDEE (Instituto Dinamarquês de Estudos do Esporte), que criou um índice mundial de estádios, a Arena Pantanal teve a pior relação entre a sua capacidade (43,6 mil) e as médias de público do futebol local.  

É fácil ver porque. A final do último Campeonato Mato Grossense, foi uma eletrizante decisão nos pênaltis entre o Cuiabá e o Mixto, assistido por 4,6 mil pagantes (10 vezes menos gente do que a capacidade da Arena Pantanal).

O Cuiabá fez valer o seu favoritismo – atualmente disputa a série C do Brasileirão – e venceu o adversário – atualmente na série D – por 2x1 no tempo normal e por 3x2 nos pênaltis.

Quem preferir uma visão mais otimista do futuro da Arena Pantanal pode se ater às declarações do ministro dos Esportes, Aldo Rabelo, que esteve recentemente visitando as obras e disse que:

“Arena é um modelo diferenciado, é para atender futebol, eventos, turismo, bares, lojas e não é um evento só para o futebol. Serve para tudo, isso nos dá a certeza que não será um elefante branco”, revelou.

O IDEE diz considerar no estudo o argumento de Rabelo.