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STARTUPS

Falta continuidade na inovação do RS

Júlia Merker
// segunda, 17/07/2017 16:26

O Rio Grande do Sul precisa de continuidade para ter um cenário de inovação com startups mais competitivas no cenário nacional e internacional, comparável ao que se vê não muito longe do estado, na vizinha Santa Catarina.

André Ghignatti (Wow), Jorge Audy (PUC-RS e Anprotec) e Sandro Cortezia (Ventiur). Foto: Itamar Aguiar.

Essa é a opinião de Jorge Audy, assessor de Ciência, Tecnologia e Inovação da PUC-RS e presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores, que esteve recentemente na Federasul para discutir o tema "Aceleradoras: a ponte entre o novo e o tradicional".

"Uma palavra que explica o diferencial de Santa Catarina para o Rio Grande do Sul nos últimos 20 anos é a continuidade, porque o potencial gaúcho é muito maior. Aqui a cada quatro anos o mundo começa de novo", declara Audy.

O painel ainda reuniu André Ghignatti, diretor executivo da Wow, e Sandro Cortezia, fundador e CEO da Ventiur, as duas maiores aceleradoras de startups do estado e entre as maiores do país.

Para Ghignatti, Santa Catarina apostou no segmento de tecnologia e startups e soube conduzir o crescimento da área.

"O Rio Grande do Sul demorou um pouquinho para entrar neste ecossistema de maneira mais estruturada. A gente está um passo atrás, sem dúvida, em relação a Santa Catarina e, principalmente, em relação a São Paulo", completa o CEO da Wow.

Um dos motivos apontados para a ascensão de Santa Catarina é o trabalho conjunto feito por agentes de inovação locais, como Acate, Sebrae-SC e Fundação Certi, acredita Ghignatti.

"No Rio Grande do Sul, o ecossistema está aprendendo a trabalhar junto. Temos feito um trabalho mais próximo entre aceleradoras e parques, que são um diferencial do estado que tem ser melhor aproveitado", reforça Cortezia.

Apesar das declarações, os executivos também consideram que o Rio Grande do Sul está no caminho certo e tem bons exemplos de empresas de destaque.

"Nós temos aqui o case da GetNet, que eu conheço como a empresa nascente de alta tecnologia de maior sucesso do ponto de vista de valor de venda, por ser a primeira unicórnio brasileira", destaca Audy.

A Getnet foi fundada em 2003 e vendida ao Santander em 2014 por R$ 1,1 bilhão. Mas o exemplo da processadora de cartões, bancada com dinheiro do milionário gaúcho Ernesto Correa e desenvolvida um pouco à margem do ecossistema de tecnologia do estado talvez não a receita para um cenário de startups pujantes no futuro.

"Um bom exemplo é o da Resultados Digitais, em Florianópolis, que acaba gerando uma comunidade no entorno que se realimenta e vira referência", explica Ghignatti.

A Resultados Digitais é desenvolvedora do RD Station, que reúne ferramentas de marketing digital para pequenas e médias empresas. 

No final do ano passado, a empresa recebeu aporte de mais de R$ 60 milhões, liderado pela TPG Growth. Para 2017, a expectativa é aumentar o faturamento em 225% e contar com 600 funcionários.

Outro destaque de Santa Catarina é a ContaAzul, fundada em 2011, que foi a primeira startup brasileira selecionada pela 500Startups, um dos principais programas de aceleração de negócios no Vale do Silício, ficando incubada por quatro meses nos Estados Unidos.

Com cerca de 200 funcionários, a ContaAzul recebeu em 2015 um aporte na faixa dos R$ 20 milhões da Tiger Global. Outros grandes fundos como Ribbit Capital, 500 Startups, Monashees e Valar já investiram na empresa.

"Nosso problema é um jogo de ecossistema. Eu sei que uma startup vai sair de onde houver um grande ecossistema. O lance é ter um ambiente em que tenha um monte de opções. Em cada ecossistema de inovação na China hoje é possível encontrar 6,5 mil startups", acrescenta Audy.

Enquanto isso, a Associação Gaúcha de Startups conta com cerca de 190 startups cadastradas em 30 cidades do Rio Grande do Sul.

Júlia Merker