Mateus Bandeira foi presidente do Banrisul no governo de José Ivo Sartori. Foto: divulgação LIDE.

Mateus Bandeira, ex-presidente do Banrisul, entrou com um pedido de liminar Justiça para impedir o plano do atual governo de vender 100 milhões de ações ordinárias do banco estatal gaúcho.

Não que Bandeira, candidato a governador do estado pelo Novo nas últimas eleições, seja contra vender o Banrisul, pelo contrário.

O argumento de Bandeira é que, ao vender apenas as ações ordinárias e não o controle da estatal, o governo está fazendo um mau negócio e gerando “prejuízos irrecuperáveis ao patrimônio público”. 

Pelas contas do ex-presidente, reveladas pelo Jornal do Comércio, ao vender a metade das ações sem direito a voto por uma quantia esperada de R$ 2,5 bilhões, o governo gaúcho vai perder R$ 3 bilhões.

“Se o governo vender até o limite do controle e o banco quiser se capitalizar buscando novos recursos no mercado, lançado ações, não haverá margem para isso já que dessa forma o Estado deixaria de ter a maioria das ações que garante o controle", alerta o executivo, avaliando que essa captação poderia ocorrer com a recuperação econômica. 

O problema, é claro, é que vender o controle do Banrisul é uma proposição teoricamente impopular, que o novo governador Eduardo Leite (PSDB), prometeu não fazer. 

Recentemente, o governo gaúcho decidiu privatizar algumas empresas, como a estatal de energia CEEE, mas o Banrisul sempre foi tido como a “jóia da coroa” e um instrumento de política pública, ficando de fora da conversa.

Por outro lado, o Rio Grande do Sul está quebrado, pagando os salários do funcionalismo em prestações que ninguém sabe ao certo quanto chegam. 

O governo, por meio do Procurador-Geral do Estado, Eduardo Cunha da Costa, diz que os argumentos de Bandeira não  modificam a legalidade do processo.

“Não acreditamos que dará a liminar neste caso e vamos apresentar a contestação do Estado com os nossos argumentos. Temos a convicção jurídica de que não há nenhuma ilegalidade na ação. Nos parece que houve um uso político desse caso”, resume Costa.