Data center aquático da Microsoft: lavou, tá novo. Foto: Microsoft.

Dois anos atrás, a Microsoft encheu com servidores um cilindro hermeticamente fechado do tamanho de um container e o jogou no fundo do mar na costa das Ilhas Órcades, um arquipélago localizado no norte da Escócia.

Nesta semana, a multinacional retirou o tubo do oceano e descobriu que ele funcionou melhor do que um data center convencional em terra firme: só oito dos 855 servidores instalados apresentaram falha, um número que é um oitavo da cifra normal.

A hipótese trabalhada pelos pesquisadores do Projeto Natick é que o melhor funcionamento tem a ver com o fato de que o data center aquático não teve intervenção humana e que a cápsula foi bombeada com hidrogênio no lugar de oxigênio.

“Acreditamos que tem a ver com o fato de que a atmosfera de nitrogênio reduz a corrosão e não tem pessoas batendo em coisas”, resume Ben Cutler, líder do projeto, ouvido pela BBC.

Variações na umidade e temperatura seriam outro problema dos data centers normais.

O data center submarino tem uma carga de energia de 240kW, 12 racks e 26,7 petabytes de armazenagem. Ele é montado pela Microsoft em cinco dias e a expectativa é que funcione por cinco anos, sem manutenção.

A Órcades, um conjunto de 70 ilhas das quais apenas 20 são habitadas por 20 mil pessoas, foi escolhida pela Microsoft porque é um centro de pesquisa sobre energia renovável e porque a temperatura média é baixa, não passando de 16 graus no auge do verão.

O conceito inicial da Microsoft é que seria mais barato resfriar os computadores dentro de água gelada. Energia para o ar condicionado é um dos principais custos de operar um data center.

A ideia era estudar se estruturas do tipo poderiam ser usadas comercialmente em projetos de curta duração. Um centro debaixo d’água também poderia ser considerado mais seguro frente a ataques ou incidentes naturais.

Mais da metade da população mundial vive a menos de 200 quilômetros da costa, o que é um atrativo inicial para a localização inusitada.

No lançamento, o projeto foi definido pela Microsoft como um "moonshot", como são conhecidas no jargão da indústria as iniciativas com muito risco envolvido. Os resultados colocam a ideia mais próxima da realidade.

E agora, para quando devemos esperar o primeiro data center aquático da Microsoft?

“Já passamos do ponto em que isso é um experimento científico”, disse Cuttler. “Agora é uma questão de engenharia”, concluiu.